segunda-feira

O Exemplo da Irlanda e o "Caso Português"

O EXEMPLO DA IRLANDA E O “CASO” PORTUGUÊS

Confesso que tenho pelo povo irlandês muita simpatia. São celtas “puros”, católicos devotos e simples, gente sociável e amiga, temperada por um clima difícil e amalgamada por uma História algo injusta, onde um colonialismo inglês, muito pouco cristão, deixou um travo amargo. Vem isto a propósito da “crise financeira” – que é muito mais moral do que financeira - que abala o mundo, sobretudo o mundo ocidental. Também a Irlanda, depois de se ter alcandorado a um desenvolvimento recente muito elogiado, mas que se verifica agora ter sido fictício, entrou em crise profunda. E tanto maior é a crise quanto maior foi a ficção.
Confrontados com os desatinos que estão a pôr os Estados à beira da bancarrota e as nações na esquina de graves confrontos político-sociais, o actual governo irlandês tomou a decisão - certamente uma entre muitas - de cortar os vencimentos dos funcionários públicos em 10%. É certo que o combate a esta crise de contornos globais implica um conjunto de medidas complexas e complementares tanto de carácter nacional como internacional. Mas não é isso que interessa analisar agora, o que interessa é dilucidar este particular. O governo irlandês não se limitou a cortar os 10% ao funcionalismo, também cortou 15% ao vencimento dos ministros e 20% ao do primeiro-ministro. E assim é que está certo. Havendo uma hierarquia no Estado, na sociedade, nas empresas e nas instituições, etc., quem tem mais responsabilidades é que tem de dar o exemplo e a seguir tem que se revelar competente a resolver os problemas, sem esquecer a justiça social com que o faz, isto é, a divisão equitativa do esforço e da recompensa. Só assim é que a população pode rever-se e acreditar na liderança que tem – e neste caso, bem ou mal, elegeu - e darem-se todos as mãos para saírem da(s) crise(s) em que a roda da vida, ciclicamente as imerge. O que acabo de escrever, não é demagogia, não são frases ocas, não são figuras de retórica. As pessoas pensam assim e as coisas passam-se assim.
Ora, em Portugal, tudo corre ao contrário do que devia. Além de esconder (mentir) miseravelmente e de uma forma continuada, as graves realidades que afectam o Estado e a Nação (palavra maldita …), quando há um aperto qualquer a que já se não pode fugir ou escamotear, os responsáveis políticos que nos regem atiram, constantemente, o ónus da resolução dos problemas – de que eles são os principais responsáveis! - para cima do desgraçado do contribuinte, ou para as calendas da dívida pública. E nunca dão o exemplo. Por isso é que a Presidência da República continua a custar mais ao erário público do que a Casa Real Espanhola; o orçamento para a AR não pára de aumentar; os 13(!) juízes do Tribunal Constitucional – que é um tribunal de nomeação politica – usufruem de carros de luxo no valor estimado de cerca de 700.000 euros que , aparentemente, podem utilizar para uso pessoal – o que é excepção aos outros tribunais; a contribuição pública para os Partidos Políticos – que estão a caminho de ser não “pilares estruturantes da democracia”, mas os seus coveiros – é um sorvedouro, que nunca ninguém perguntou ao povo se queria pagar (na Idade Média teriam que se reunir Cortes para isso…); os gestores públicos continuam a usufruir de honorários e prebendas, pornográficas enquanto a maioria das empresas públicas acumula deficits exponenciais. A injustiça no pagamento de impostos é aquilo que se sabe e o ridículo (e falta de vergonha na cara) já teria morto o governador do Banco de Portugal quando se esfalfa a defender a diminuição dos réditos do cidadão comum, quando ele ganha mais do que o seu congénere estado-unidense, e nem sequer consegue controlar – ou dar conta! – das vigarices que se têm passado no sistema financeiro português de que os casos mais eloquentes não saiem das páginas dos jornais.
Os bens nacionais têm sido saqueados, é o termo. E como não há autoridade nem bons costumes, a corrupção passou a campear infrene, ameaçando subverter o Estado e desqualificando-nos enquanto sociedade.
Perante todo este cenário, que é real,e por todos intuído,com diferentes graus de entendimento, alguém está à espera que a generalidade da população acredite nos políticos, aceite de boa mente o que dizem, e queira fazer sacrifícios para sair da crise? Só os tontos, mesmo.
A população (embora não isenta de culpas) está entretida a sobreviver e a acumular uma raiva – que ainda não é de morte, mas para lá caminha – enorme, à classe política.
Têm pomposamente chamado a este regabofe de “Democracia”, com algum pão e muito circo à mistura.
Tenham cuidado, pois não há pão que sempre dure e circo que não se acabe.
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João José Brandão Ferreira
TCor/Pilav (Ref)
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quarta-feira

Cantares de Andarilho

Natal dos Simples

Letra e música: Zeca Afonso
(reis, janeiras, canção de Natal)
In: Cantares de Andarilho;
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Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras
Vamos cantar orvalhadas
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas

Vira o vento e muda a sorte
Vira o vento e muda a sorte
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte

Muita neve cai na serra
Muita neve cai na serra
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra

Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza

Já nos cansa esta lonjura
Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura
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Cantar as Janeiras

terça-feira

A Economia irá derrotar a democracia de 1976 ?


Medina Carreira no seu melhor...

JOSÉ SÓCRATES É UM HOMEM DE CIRCO





A economia vai derrotar a democracia de 1976.

José Sócrates, é um homem de circo, de espectáculo. Portugal está a ser gerido por medíocres, Guterres, Barroso, Santana Lopes e este, José Sócrates, não perceberam o essencial do problema do país.

O desemprego não é um problema, é uma consequência de alguma coisa que não está bem na economia. Já estou enjoado de medidinhas. Já nem sei o que é que isso custa, nem sequer sei se estão a ser aplicadas.

A população não vai aguentar daqui a dez anos um Estado social como aquele em que nós estamos a viver. Este que está lá agora, o José Sócrates, é um homem de espectáculo, é um homem de circo. Desde a primeira hora.

É gente de circo. E prezam o espectáculo porque querem enganar a sociedade.

Vocês, comunicação social, o que dão é esta conversa de «inflação menos 1 ponto», o «crescimento 0,1 em vez de 0,6». Se as pessoas soubessem o que é 0,1 de crescimento, que é um café por português de 3 em 3 dias... Portanto andamos a discutir um café de 3 em 3 dias... mas é sem açúcar.

Eu não sou candidato a nada, e por conseguinte não quero ser popular. Eu não quero é enganar os portugueses. Nem digo mal por prazer, nem quero ser «popularuxo» porque não dependo do aparelho político!"

Ainda há dias eu estava num supermercado, numa bicha para pagar, e estava uma rapariga de umbigo de fora com umas garrafas, e em vez de multiplicar «6x3=18», contava com os dedos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7... Isto não é ensino... é falta de ensino, é uma treta! É o futuro que está em causa!

Os números são fatais. Dos números ninguém se livra, mesmo que não goste. Uma economia que em cada 3 anos dos últimos 27, cresceu 1%... esta economia não resiste num país europeu.

Quem anda a viver da política para tratar da sua vida, não se pode esperar coisa nenhuma. A causa pública exige entrega e desinteresse.

Se nós já estamos ultra-endividados, faz algum sentido ir gastar este dinheiro todo em coisas que não são estritamente indispensáveis?

P'rá gente ir para o Porto ou para Badajoz mais depressa 20 minutos? Acha que sim?

A aviação está a sofrer uma reconversão, vamos agora fazer um aeroporto, se calhar não era melhor aproveitar a Portela?

Quer dizer, isto está tudo louco?"

Eu por mim estou convencido que não se faz nada para pôr a Justiça a funcionar porque a classe política tem medo de ser apanhada na rede da Justiça. É uma desconfiança que eu tenho. E então, quanto mais complicado aquilo for...

Nós tivemos nos últimos 10-12 anos 4 Primeiros-Ministros:

- Um desapareceu;
- O outro arranjou um melhor emprego em Bruxelas, foi-se embora;
- O outro foi mandado embora pelo Presidente da República;
- E este coitado, anda a ver se consegue chegar ao fim"

O João Cravinho tentou resolver o problema da corrupção em Portugal. Tentou. Foi "exilado" para Londres. O Carrilho também falava um bocado, foi para Paris. O Alegre depois não sei para onde ele irá... Em Portugal quem fala contra a corrupção ou é mandado para um "exílio dourado", ou então é entupido e cercado.

Mas você acredita nesse «considerado bem»? Então, o meu amigo encomenda aí uma ponte que é orçamentada para 100 e depois custa 400? Não há uma obra que não custe 3 ou 4 vezes mais? Não acha que isto é um saque dos dinheiros públicos? E não vejo intervenção da polícia... Há-de acreditar que há muita gente que fica com a grande parte da diferença!

De acordo com as circunstâncias previstas, nós por volta de 2020 somos o país mais pobre da União Europeia. É claro que vamos ter o nome de Lisboa na estratégia, e vamos ter, eventualmente, o nome de Lisboa no tratado. É, mas não passa disso. É só para entreter a gente.

Isto é um circo. É uma palhaçada. Nas eleições, uns não sabem o que estão a prometer, e outros são declaradamente uns mentirosos: - Prometem aquilo que sabem que não podem."

A educação em Portugal é um crime de «lesa-juventude»: Com a fantasia do ensino dito «inclusivo», têm lá uma data de gente que não quer estudar, que não faz nada, não fará nada, nem deixa ninguém estudar. Para que é que serve estar lá gente que não quer estudar? Claro que o pessoal que não quer estudar está lá a atrapalhar a vida aqueles que querem estudar. Mas é inclusiva...

O que é inclusiva? É para formar tontos? Analfabetos?"

"Os exames são uma vergonha.

Você acredita que num ano a média de Matemática é 10, e no outro ano é 14? Acha que o pessoal melhorou desta maneira? Por conseguinte a única coisa que posso dizer é que é mentira, é um roubo ao ensino e aos professores! Está-se a levar a juventude para um beco sem saída. Esta juventude vai ser completamente desgraçada!

A minha opinião desde há muito tempo é: TGV- Não!

Para um país com este tamanho é uma tontice. O aeroporto depende. Eu acho que é de pensar duas vezes esse problema. Ainda mais agora com o problema do petróleo.

Bragança não pode ficar fora da rede de auto-estradas? Não?

Quer dizer, Bragança fica dentro da rede de auto-estradas e nós ficamos encalacrados no estrangeiro? Eu nem comento essa afirmação que é para não ir mais longe...

Bragança com uma boa estrada fica muito bem ligada. Quem tem interesse que se façam estas obras é o Governo Português, são os partidos do poder, são os bancos, são os construtores, são os vendedores de maquinaria... Esses é que têm interesse, não é o Português!

Nós em Portugal sabemos resolver o problema dos outros: A guerra do Iraque, do Afeganistão, se o Presidente havia de ter sido o Bush, mas não sabemos resolver os nossos. As nossas grandes personalidades em Portugal falam de tudo no estrangeiro: criticam, promovem, conferenciam, discutem, mas se lhes perguntar o que é que se devia fazer em Portugal nenhum sabe. Somos um país de papagaios...

Receber os prisioneiros de Guantanamo?

Isso fica bem e a alimentação não deve ser cara...» Saibamos olhar para os nossos problemas e resolvê-los e deixemos lá os outros... Isso é um sintoma de inferioridade que a gente tem, estar sempre a olhar para os outros. Olhemos para nós!

A crise internacional é realmente um problema grave, para 1-2 anos. Quando passar lá fora, a crise passará cá. Mas quando essa crise passar cá, nós ficamos outra vez com os nossos problemas, com a nossa crise. Portanto é importante não embebedar o pessoal com a ideia de que isto é a maldita crise. Não é!

Nós estamos com um endividamento diário nos últimos 3 anos correspondente a 48 milhões de euros por dia: Por hora são 2 milhões! Portanto, quando acabarmos este programa Portugal deve mais 2 milhões! Quem é que vai pagar?

Isso era o que deveríamos ter em grande quantidade.

Era vender sapatos. Mas nós não estamos a falar de vender sapatos. Nós estamos a falar de pedir dinheiro emprestado lá fora, pô-lo a circular, o pessoal come e bebe, e depois ele sai logo a seguir..."

Ouça, eu não ligo importância a esses documentos aprovados na Assembleia...

Não me fale da Assembleia, isso é uma provocação... Poupe-me a esse espectáculo...."

Isto da avaliação dos professores não é começar por lado nenhum.

Eu já disse à Ministra uma vez «A senhora tem uma agenda errada"» Porque sem pôr disciplina na escola, não lhe interessa os professores. Quer grandes professores? Eu também, agora, para quê? Chegam lá os meninos fazem o que lhes dá na cabeça, insultam, batem, partem a carteira e não acontece coisa nenhuma. Vale a pena ter lá o grande professor? Ele não está para aturar aquilo...Portanto tem que haver uma agenda para a Educação. Eu sou contra a autonomia das escolas Isso é descentralizar a «bandalheira».

Há dias circulava na Internet uma notícia sobre um atleta olímpico que andou numa "nova oportunidade" uns meses, fez o 12ºano e agora vai seguir Medicina...
Quer dizer, o homem andava aí distraído, disseram «meta-se nas novas oportunidades» e agora entra em Medicina...

Bem, quando ele acabar o curso já eu não devo cá andar felizmente, mas quem vai apanhar esse atleta olímpico com este tipo de preparação...

Quer dizer, isto é tudo uma trafulhice..."

É preciso que alguém diga aos portugueses o caminho que este país está a levar.
Um país que empobrece, que se torna cada vez mais desigual, em que as desigualdades não têm fundamento, a maior parte delas são desigualdades ilegítimas para não dizer mais, numa sociedade onde uns empobrecem sem justificação e outros se tornam multi-milionários sem justificação, é um caldo de cultura que pode acabar muito mal. Eu receio mesmo que acabe.

Até há cerca de um ano eu pensava que íamos ficar irremediavelmente mais pobres, mas aqui quentinhos, pacíficos, amiguinhos, a passar a mão uns pelos outros... Começo a pensar que vamos empobrecer, mas com barulho...

Hoje, acrescento-lhe só o «muito». Digo-lhe que a gente vai empobrecer, provavelmente com muito barulho...

Eu achava que não havia «barulho», depois achava que ia haver «barulho», e agora acho que vai haver «muito barulho». Os portugueses que interpretem o que quiserem...

Quando sobe a linha de desenvolvimento da União Europeia sobe a linha de Portugal. Por conseguinte quando os Governos dizem que estão a fazer coisas e que a economia está a responder, é mentira! Portanto, nós na conjuntura de médio prazo e curto prazo não fazemos coisa nenhuma. Os governos não fazem nada que seja útil ou que seja excessivamente útil. É só conversa e portanto, não acreditem...

No longo prazo, também não fizemos nada para o resolver e esta é que é a angústia da economia portuguesa.

"Tudo se resume a sacar dinheiro de qualquer sítio. Esta interpenetração do político com o económico, das empresas que vão buscar os políticos, dos políticos que vão buscar as empresas...Isto não é um problema de regras, é um problema das pessoas em si...Porque é que se vai buscar políticos para as empresas?

É o sistema, é a (des)educação que a gente tem para a vida política...

Um político é um político e um empresário é um empresário. Não deve haver confusões entre uma coisa e outra. Cada um no seu sítio. Esta coisa de ser político, depois ministro, depois sai, vai para ali, tira-se de acolá, volta-se para ministro... é tudo uma sujeira que não dá saúde nenhuma à sociedade.

Este país não vai de habilidades nem de espectáculos.

Este país vai de seriedade. Enquanto tivermos ministros a verificar preços e a distribuir computadores, eles não são ministros. São propagandistas! Eles não são pagos nem escolhidos para isso! Eles têm outras competências e têm que perceber quais os grandes problemas do país!

Se aparece aqui uma pessoa para falar verdade, os vossos comentadores dizem «este tipo é chato, é pessimista»...

Se vem aqui outro trafulha a dizer umas aldrabices fica tudo satisfeito...
Vocês têm que arranjar um programa onde as pessoas venham à vontade, sem estarem a ser pressionadas, sossegadamente dizer aquilo que pensam. E os portugueses se quiserem ouvir, ouvem. E eles vão ouvir, porque no dia em que começarem a ouvir gente séria e que não diz aldrabices, param para ouvir. O Português está farto de ser enganado! Todos os dias tem a sensação que é enganado!

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segunda-feira

A Justiça e a Politica

Duma actualidade surpreendente. A Justiça e a Politica parece que foram escritos hoje.

"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,
descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.

A justiça ao arbítrio da Política,torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos,iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,e não se malgando e fundindo, apesar disso,pela razão que alguém deu no parlamento,de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."
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Guerra Junqueiro, 1896.
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domingo

Ópera no Mercado


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Fabuloso!E Um Bom Ano para todos.
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O nosso Fado deste Portugal...



TUDO ISTO EXISTE, TUDO ISTO È TRISTE,
TUDO ISTO É ..."FARDO" !

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quinta-feira

Balada Para uma Velhinha



Assim termino o Ano de 2009, para os que me deram a honra da sua visita, aqui lhes deixo um forte abraço cheio de votos sinceros para que tenham um Feliz Ano Novo.

Balada Para Uma Velhinha
Ary Dos Santos
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Num banco de jardim uma velhinha
está tão só com a sombrinha
que é o seu pano de fundo.
Num banco de jardim uma velhinha
está sozinha, não há coisa
mais triste neste mundo.
E apenas faz ternura, não faz pena,
não faz dó,
pois tem no rosto um resto de frescura.
Já coseu alpergatas e
bandeiras verdadeiras.
Amargou a pobreza até ao fundo.
Dos ossos fez as mesas e as cadeiras,
as maneiras
que a fazem estar sentada sobre o mundo.
Neste jardim ela
à trepadeira das canseiras
das rugas onde o tempo
é mais profundo.
Num banco de jardim uma velhinha
nunca mais estará sozinha,
o futuro está com ela,
e abrindo ao sol o negro da
sombrinha poidinha,
o sol vem namorá-la da janela.
Se essa velhinha fosse
a mãe que eu quero,
a mãe que eu tinha,
não havia no mundo outra mais bela.
Num banco de jardim uma velhinha
faz desenhos nas pedrinhas
que, afinal, são como eu.
Sabe que as dores que tem também são minhas,
são moinhas do filho a desbravar que Deus lhe deu.
E, em volta do seu banco, os
malmequeres e as andorinhas
provam que a minha mãe nunca morreu.

terça-feira

Arrogância

Para restaurar Portugal

Para restaurar Portugal
Transcrição seguida de Nota

Primeiro o PS depois o PR
Jornal de Notícias. 28 de Dezembro de 2009. Por Mário Crespo

Portugal tem tido muita gente esquisita a governá-lo mas, com Cavaco Silva e José Sócrates, atingimos um elevado grau de desconforto. O semipresidencialismo destes dois homens produziu um regime híbrido que não executa nem deixa executar. Semi-governante e semi-presidente ao fim de quatro anos de semi-vida institucional aparecem embrulhados numa luta por afirmação confusa e desagradável de seguir.

O embaraço público que foram os cumprimentos de Natal adensou a sensação de incómodo. O regime poderia funcionar se os actores se quisessem complementar. Mas estes actores, por formação e deformação, não têm valências associáveis. O voluntarismo de que os dois vão dando testemunho não chega para disfarçar as suas limitações. Com eles a circular a alta velocidade nos topos de gama à prova de bala e nos jactos executivos do Estado, o futuro de Portugal fica hipotecado ao patético despique da escolha de impropérios numa inconsequente zaragata de raquíticos. Até que alguém de fora venha pôr ordem na casa. A menos que venha alguém de dentro.

Semi-governante e semi-presidente tornaram-se descartáveis e, dada a urgência, é preciso começar pelo Partido Socialista. A crise no PS com a ausência de resultados desta direcção é muito mais séria para Portugal do que o tumulto no PSD.

Porque o PS governa e o PSD não. O PSD morreu. Ressuscitará ao terceiro dia para um mundo diferente. Um mundo em que homens casam com homens e mulheres com mulheres e onde se morre, ou se mata, por uma questão de vontade, requerimento ou decreto. Um mundo cheio de coisas difíceis de descrever. Coisas que precisam de muitas palavras para serem narradas e, mesmo assim, não fazem sentido. Como por exemplo a "activista-transexual-espanhola" que é alguém que frequenta o Parlamento de Portugal pela mão deste PS segundo José Sócrates. Um PSD ressuscitado vai ter que incorporar estas invenções na matriz de costumes de Sá Carneiro, inovadora à época, monástica hoje, ainda que, provavelmente, adequada para o futuro.

Até lá, é aos Socialistas a quem compete definir alguém para governar. Alguém que quando falar de educação não nos faça recordar a Independente. Alguém que quando discutir grandes investimentos não nos faça associar tudo ao Freeport. Alguém que definitivamente não seja relacionável com nada que tenha faces ocultas e que quando se falar de Parlamento não tenha nada a ver com as misteriosas ambiguidades de Carla Antonelli "a activista transexual espanhola" que, com Sócrates, agora deambula pelos Passos Perdidos em busca do seu "direito à felicidade".

O governo não pode estar entregue a um PS imprevisível e imprevidente, menor em qualidades executivas e em ética, capturado nos seus aparelhos por operadores desalmados e oportunistas.

Recuperar a majestade das construções ideológicas e políticas de Salgado Zenha, Sottomayor Cardia e Mário Soares é fundamental nesta fase da vida, ou da morte, do país. No Partido Socialista há gente seguramente preparada para governar e começar a recuperar o clima de confiança e respeito pelos executivos nacionais que Sócrates e Cavaco arruinaram.

Substituir Sócrates é já um dever. Na hierarquia de urgências o problema Cavaco Silva vem depois mas, também aqui, Portugal tem que ter na Presidência alguém que não possa ser nem vagamente relacionável com nada onde subsistam incógnitas. E há muitas incógnitas no BPN. Mas cada coisa a seu tempo. Primeiro o PS, depois o PR.

NOTA:
Há quem diga que em 2010, centenário da implantação da república devia haver reformas positivas no País por forma a restaurar a vitalidade nacional para o desenvolvimento e a felicidade das pessoas. O ideal seria os partidos entenderem-se, unirem esforços em sólidos consensos para acelerarem a evolução com o mínimo de custos de todos os géneros, evitando soluções dramáticas como as já aqui referidas e de que o caso Berlusconi parece ser uma centelha. Seria de evitar ver estragar miniaturas dos Jerónimos contra os dentes de políticos.

A par das palavras sensatas e muito claras de Medina Carreira, Mário Crespo dá lições aos políticos sobre as realidades nacionais e a necessidade de medidas construtivas. Mesmo que os políticos, absorvidas nas tricas entre partidos, tenham dificuldade em interpretar tais alertas, devem fazer o esforço de nelas meditar e depois elaborar decisões e orientações correctas para bem de Portugal e das gerações futuras.

Estas lições não devem ser olvidadas por quem fez o juramento solene de cumprir com lealdade as funções que lhe foram confiadas. E, muito menos, ser olhadas com ar raivoso por ver que há quem não aplauda cegamente. Portugal precisa de pessoas que observem com isenção e serenidade as realidades e tenha a coragem de alertar para a necessidade de correcções do rumo a fim de evitar o abismo.
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segunda-feira

domingo

Michael Jackson



Este vídeo ganhou em 1996 o prêmio Le Film Fantastique de Melhor Clipe e foi indicado ao Grammy de Melhor Clipe de 1997, portanto NÃO FOI CENSURADO NOS EUA nem em nenhum lugar como se está a divulgar...


Bem concebido, bem realizado, bem interpretado e bem intencionado.

O vídeo é do single de maior sucesso de Michael Jackson no Reino Unido, que não foi nem "Billie Jean", nem "Beat it", e sim a ecológica "Earth Song", de 1996.
A letra fala de desmatamento, sobrepesca e poluição, e, por um pequeno detalhe, talvez você nunca terá a oportunidade de assistir na televisão.
O Detalhe: "Earth Song" nunca foi lançada como single nos Estados Unidos, historicamente o maior poluidor do planeta. Por isso a maioria de nós nunca teve acesso ao clip.
Ou seja, o que não passa nos EUA, não passa no resto do mundo. Só mostram o que lhes interessa e só assistimos ao que eles querem.
Veja, então, o que os americanos nunca mostraram de Michael Jackson.
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Filmado na Africa, Amazonia, Croácia e New York.
Emocionante!
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sábado

Fado Falado, por João Villaret

Boas Festas




Hooola Ho! Eu estou dançando Santa Claus e eu desejo para você. Check out my placa de vídeo para

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quarta-feira

Homenagem aos Combatentes mortos na guerra colonial.

Combatentes mortos na guerra colonial:
Ignorados, desconhecidos, desprezados...


Mais um ano se aproxima e com ele mais um aniversário do 25 de Abril de 1974.
Muitos anos se passaram desde essa data...!
Quase uma geração!

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A conveniência comodista, inerme, do "políticamente correto" destes "novos tempos" repletos de estranhas, burlescas e saltitantes figuras que se pavoneiam e "metem" a "jet-set" eternamente insignificantes liderando fúteis eventos, não os cita, não os lembra, não os reconhece nem os visita... Despreza simplesmente os heróicos, inocentes, ingénuos, voluntariosos Combatentes da malfadada guerra colonial que lhes foi oferecida como missão pátria e enterrou vidas jovens, determinadas, que poderiam ser felizes, em buracos de terra vermelha, agreste, estranha, distante do rincão natal.

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Por lá, por essa África distante e próxima, irmã e madrasta, permanecem até hoje abandonados, sem o afago de uma oração Amiga, sem o brilho iluminado de uma vela cristã, sem o calor e a côr de uma rosa ou de um famigerado, emblemático cravo vermelho, peregrinando acusadores em espírito, na memória de familiares e de sobreviventes camaradas da armas angustiados, revoltados com tanta mediocridade moral, cívica contemporâneas.

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Por Angola, pela Guiné, por Moçambique e até por Pemba-ex Porto Amélia ficaram enterrados seus restos mortais, ao relento gélido do desprezo, como mancha medonha, sangrenta, acusadora, denunciadora da míngua de consciências e de lideres políticos com "h" minúsculo no "reino" lusitano do Agora !

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Só nos resta, com a arma da palavra, enaltecer, exaltar para a História, acarinhar a memória desses Heróis... e desprezar, denúnciar, repudiar com vigor os falsos, apagados, medíocres, auto-proclamados "heróis-de-barro" que por aí se vão reproduzindo como térmitas insaciáveis, inchadas e arrogantes


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Natal 2009 na UATI

Interpretando poemas de Ary dos Santos











terça-feira

Mariza - Cadeira Vazia


MARIZA, é actualmente uma das melhores, se não a melhor, intérprete do fado. Pela primeira vez pude, neste vídeo, apreciar a sua arte de cantar com sotaque brasileiro, no programa de Jô Soares.

ACONTECEU NO PROGRAMA DO JÔ, DIA 26/11/09, ELE ENTREVISTAVA A CANTORA PORTUGUESA MARIZA (CUJO NOME FOI UMA HOMENAGEM DE SEU PAI, QUANDO MORAVA NO BRASIL, À CANTORA "MARIZA GATA MANSA") E, PEDIU QUE ELA CANTASSE UMA MUSICA BRASILEIRA, VEJAM QUE EMOCIONANTE, E OBSERVEM A CATEGORIA DELA. É DE ARREPIAR...

segunda-feira

Carta de Egas Moniz a D. Afonso Henriques

Meu querido Afonso,

Ou Afonsinho, como eu te chamava no tempo em que te educava junto às margens do rio Douro, quando foi do milagre. Eras tão pequenino e enfezadinho.
Afonsinho, em que estavas a pensar quando mais tarde te zangaste com o teu Tio e fundaste Portugal?
Olha só no que deu essa tua travessura:
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• No exame final de 12º ano, és apanhado a copiar, chumbas o ano; o primeiro-ministro fez o exame de inglês técnico em casa, mandou por fax e é engenheiro.
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• Uma adolescente de 16 anos pode fazer livremente um aborto, mas não pode pôr um'piercing' (um prego nas trombas, mas em inglês diz-se assim)
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• Um jovem de 18 anos recebe 200 € do Estado para não trabalhar; um idoso recebe de reforma 236 € depois de toda uma vida do trabalho.
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• Um marido oferece um anel à sua mulher e tem de declarar a doação ao fisco. O mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador e demora 3 anos a corrigir o erro.
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• Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para cada 2.000 habitantes; o Governo diz que não precisa de mais polícias.
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• Um professor é sovado por um aluno e o Governo diz que a culpa é das causas sociais.
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• O café da esquina fechou porque não tinha WC para homens, mulheres e empregados. No Fórum Montijo, o WC da Pizza Hut fica a 100mts e não tem local para lavar as mãos.
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• O governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao petróleo e depois multa quem coloca óleo vegetal nos carros porque não paga ISP (Imposto sobre produtos petrolíferos).
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• Nas prisões, são distribuídas gratuitamente seringas por causa do HIV, mas é proibido consumir droga nas prisões!
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• Um jovem de 14 anos mata um adulto, não tem idade para ir a tribunal. Um jovem de 15 leva um chapada do pai, por ter roubado dinheiro para droga, é violência doméstica!
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• A uma família a quem a casa ruiu e não tem dinheiro para comprar outra, o estado não tem dinheiro para fazer uma nova, tem de viver conforme pode. 6 presos que mataram e violaram idosos vivem numa cela de 4 e sem wc privado, não estão a viver condignamente e aí aassociação de direitos humanos faz queixa ao tribunal europeu.
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• A militares que combateram em África a mando do governo da época na defesa do território nacional não lhes é reconhecido nenhuma causa nem direito de guerra, mas o primeiro-ministro elogia as tropas que estão em defesa das Pátrias DO KOSOVO, AFEGANISTÃO E IRAQUE, não da Pátria que fundaste.
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• Começas a descontar em Janeiro o IRS e só vais receber o excesso em Agosto do ano que vem; não pagas às finanças a tempo e horas, passado um dia, já estás a pagar juros.
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• Fechas a janela da tua varanda e estás a fazer uma obra ilegal. Constrói-se um bairro de lata e ninguém vê.
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• Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos o pões a trabalhar contigo num ofício respeitável, é exploração de trabalho infantil. Se és artista e o teu filho com 7 anos participa em gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais, a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe!
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• Numa farmácia pagas 0.50€ por uma seringa que se usa para dar um medicamento a uma criança. Se fosses drogado, não pagavas nada!
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• Afonsinho, de novo te pergunto e por favor responde-me: em que estavas a pensar quando fundaste Portugal? Carago, foi uma diarreia mental que tiveste, confessa lá que foi. Agora todos estão desiludidos. Já te falarei um dia na corrupção. O Gonçalo Mendes da Maia que tu tanto criticavas por querer tudo, era um ingénuo, não era nada ao lado desta gangada, nossos descendentes.
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Se vires a senhora tua Mãe, dá-lhe recados.
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Um beijo do teu servidor sempre fiel,
Egas Moniz
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domingo

E ninguém é preso !!!!!

IMPRESSIONANTE!!!

Não há teta que resista a tanto "mamar"...e é "tudo" a mamar!

O Tribunal de Contas ou outro orgão similar não supervisiona estas contas?
Ou não haverá nenhum serviço que o faça?
Porque isto passa-se a nível da Administração Local.
Dinheiro Público?
A "sem-vergonha pública"...

Administração Regional de Saúde do Alentejo, I. P.- Aquisição de:1 armário persiana; 2 mesas de computador; 3 cadeiras c/rodízios, braços e costas altas: 97.560,00€

Eu não sei a quanto está o metro cúbico de material de escritório mas ou estes armários/mesas/cadeiras são de ouro sólido ou então não estou a ver onde é que 6 peças de mobiliário de escritório custam quase 100 000€. Alguém me elucida sobre esta questão?

Matosinhos Habit - MH - Reparação de porta de entrada do edifício: 142.320,00 €

Alguém sabe de que é feita esta porta que custa mais do que a minha casa?

Universidade do Algarve - Escola Superior de Tecnologia - Projecto Tempus - Viagem aérea Faro/Zagreb e regresso a Faro, para 1 pessoas no período de 3 a 6 de Dezembro de 2008: 33.745,00 €

Segundo o site da TAP a viagem mais cara que se encontra entre Faro-Zagreb-Faro em executiva é de cerca de 1700€. Dá uma pequena diferença de 32 000 €. Como é que é possível???

Município de Lagoa - 6 Kit de mala Piaggio Fly para as motorizadas do sector de àguas: 106.596,00 €

Pelo vistos fazer um "Pimp My Ride" nas motorizadas do Município de Lagoa fica carote!!

Município de Ílhavo - Fornecimento de 3 Computadores, 1 impressora de talões, 9 fones, 2 leitores opticos: 380.666,00 €

Estes computadores devem ser mesmo especiais para terem custado cerca de 100 000€ cada...Já para não falar nos restantes acessórios.

Município de Lagoa - Aquisição de fardamento para a fiscalização municipal: 391.970,00€

Eu não sei o que a Polícia Municipal de Lagoa veste, mas pelos vistos deve ser Haute-Couture.

Câmara Municipal de Loures - VINHO TINTO E BRANCO: 652.300,00 €

Alguém me explica porque é que a Câmara Municipal de Loures precisa de mais de meio milhão de Euros em Vinho Tinto e Branco????

Municipio de Vale de Cambra - AQUISIÇÃO DE VIATURA LIGEIRO DE MERCADORIAS: 1.236..000,00 €

Neste contrato ficamos a saber que uma viatura ligeira de mercadorias da Renault custa cerca de 1 milhão de Euros. Impressionante.

Câmara Municipal de Sines - Aluguer de tenda para inauguração do Museu do Castelo de Sines: 1.236.500,00 €

É interessante perceber que uma tenda custa mais ou menos o mesmo que um ligeiro de mercadorias da Renault. E eu que estava a ser tão injusto com o município de Vale de Cambra.

Municipio de Vale de Cambra - AQUISIÇÃO DE VIATURA DE 16 LUGARES PARA TRANSPORTE DE CRIANÇAS: 2.922.000,00 €

E mais uma pérola do Município de Vale de Cambra: uma viatura de 16 lugares para transportar crianças custa cerca de 3 milhões de Euros. I-M-P-R-E-S-S-I-O-N-A-N-T-E!!!!
Só para terem um termo de comparação vejam este contrato público realizado pelo Município de Ribeira de Pena que ficou um pouquinho mais em conta e aparentemente para uma viatura melhor.

Município de Beja - Fornecimento de 1 fotocopiadora, "Multifuncional do tipo IRC3080I", para a Divisão de Obras Municipais: 6.572.983,00 €

Este contrato público é um dos mais vergonhosos que se encontra neste site. Uma fotocopiadora que custa normalmente

7,698.42€ foi comprada por mais de 6,5 milhões de Euros. E ninguém vai preso por merdas como esta?

Agência para a Modernização Administrativa, IP - Renovação do Licenciamento de software Microsoft: 14.360.063,00 €

E para finalizar, a pérola do software proprietário. Não admira que a Microsoft goste tanto de Portugal.. Mais de 14 milhões de Euros em licenças...
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quarta-feira

Poema de Natal


HISTÓRIA ANTIGA

Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.

E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.

Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.

Miguel Torga
Antologia Poética
Coimbra, Ed. do Autor, 1981

segunda-feira

Rua da Saudade



RUA DA SAUDADE Canções de Ary dos Santos No ano em que se assinalam os 25 anos da morte de um dos mais talentosos poetas portugueses, Mafalda Arnauth, Susana Félix, Viviane e Luanda Cozetti reúnem-...

domingo

Natal é quando o Homem quiser.....


Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e comboios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
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Vamos lá ver como vou portar, ao dizer este poema na festa de Natal da Universidade da Terceira Idade, espero que o Ary não se zangue comigo.
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sexta-feira

Para que não se esqueça do outro 11 de Setembro


11 diretores foram convidados para fazer um filme sobre a queda das torres gêmeas em 11 de setembro. Essa é a brilhante contribuição de Ken Loach que traça um paralelo com um outro 11 de setembro, ...

PARA QUE NÃO SE ESQUEÇA !!!!

FOI HÁ 35 ANOS O OUTRO 11 DE SETEMBRO

UM 11 DE SETEMBRO COM MAIS MORTES, MAS ESQUECIDO, PORQUE OS TERRORISTAS AQUI SÃO OS E.U.A.

VALE A PENA PERDER 10 MINUTOS A VER O FILME....VALE MESMO.Vejam até ao fim,porfavor.QUEM SE LEMBRA SABE DO QUE SE PASSOU....QUEM NÃO SE LEMBRA VAI LEMBRAR-SE.....QUEM NUNCA OUVIU FALAR VAI APRENDER.

quarta-feira

Assustador .........



É UMA MULHER CREDÍVEL, DUM PAÍS CREDÍVEL.
E nem posso dizer que seja para mim novidade absoluta...
À maioria bem instalada só fazem falta uns tantos escravos...

O depoimento da ex-Ministra da Saúde da Finlândia, Dra. Rauni Kilde, é muito claro e corajoso.

sexta-feira

VIV'Ó REGABOFE


VIV'Ó REGABOFE


Maugrado o voto de pobreza a que a Ordem Franciscana obriga, Frei Vítor Melícias, o inefável pantomineiro socialista de todos conhecido, recebe uma modesta reforma de € 7450!!!!! Será que a entrega direitinha à Ordem Franciscana e a distribui pelos mais necessitados????
Padre Melícias com pensão de 7450 euros
O padre Vítor Melícias, ex-alto comissário para Timor-Leste e ex-presidente do Montepio Geral, declarou ao Tribunal Constitucional, como membro do Conselho Económico e Social (CES), um rendimento anual de pensões de 104 301 euros. Em 14 meses, o sacerdote, que prestou um voto de obediência à Ordem dos Franciscanos, tem uma pensão mensal de 7450 euros. O valor desta aposentação resulta, segundo disse ao CM Vítor Melícias, da "remuneração acima da média" auferida em vários cargos.
Vítor Melícias entregou a declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional em 2 de Fevereiro de 2009, mais de um ano após a instituição presidida por Rui Moura Ramos ter clarificado a interpretação da lei que controla a riqueza dos titulares de cargos políticos. A 15 de Janeiro de 2008, o Tribunal Constitucional deixou claro que, ao abrigo da lei 25/95, 'de entre os membros que compõem o CES, se encontram vinculados ao referido dever [de entrega da declaração de rendimentos] aqueles que integrem o Conselho Coordenador e a Comissão Permanente de Concertação Social, bem como o secretário-geral'.
Com 71 anos, Vítor Melícias declarou, em 2007, ao Tribunal Constitucional um rendimento total de 111 491 euros, dos quais 104 301 euros de pensões e 7190 euros de trabalho dependente. 'Eu tenho uma pensão aceitável mas não sou rico', diz o sacerdote.
Melícias frisa que exerceu funções com 'remuneração acima da média, que corresponde a uma responsabilidade acima de director-geral', no Montepio Geral, na Misericórdia de Lisboa, no Serviço Nacional de Bombeiros e noutros organismos.


EM NOME DO PAI, DA MÃE E DOS TÓTÓS QUE ALIMENTAM ESTES PROCHENETAS...

ABRAM OS OLHOS, IRMÃOS, UMA VERGONHA!!!

segunda-feira

Frases Y Autores .......

Frases y autores:

Me molesta la gente que no da la cara. (Anónimo)

Vayamos al grano. (Un dermatólogo)

Vayamos por partes. (Jack El Destripador)

No a la donación de órganos. (Yamaha)

Mi esposa tiene un buen físico. (Albert Einstein)

Yo empecé comiéndome las uñas. (La Venus de Milo)

Nunca pude estudiar Derecho. (El Jorobado de Notre Dame)

A mí lo que me revienta son los camiones. (Un sapo)

Ser ciego no es nada, peor sería ser negro. (Stevie Wonder)

Siempre quise ser el primero. (Juan Pablo II)

Cuando te fuiste me dejaste un sabor amargo en la boca. (Monica Lewinski)

¡Me las pagarás! (Fondo Monetario Internacional)

¡Basta ya de realidades... queremos promesas!(Los pobres)

Tengo todos mis hijos de apellido distinto (Carlos Distinto)

Hemos batido a la competencia. (Moulinex)

No a los golpes, sí a los porrazos. (Bob Marley)

La leche engorda. (Una embarazada)

¡No más derramamiento de sangre! (Tampax)

Tengo un corazón de piedra. (Una estatua)

Tengo nervios de acero. (Robocop)

El coche nunca reemplazará al caballo. (La yegua)

La mano viene movida. (Parkinson)

Mi padre es un viejo verde. (El Increíble Hulk)

¡Mamá, lo sé todo! (El Pequeño Larousse Ilustrado)

Nuestra madre es una loba. (Rómulo y Remo)

Me dijeron que jugara pegado a la línea blanca. (Diego A. Maradona)

No al paro. (Un cardíaco)

Tengo un nudo en la garganta. (Un ahorcado)

Creo en la reencarnación. (Una uña)

X. (Un analfabeto)

Mi novio es una bestia. (La Bella)

Mi mamá es una rata. (Mickey)

Estoy hecha una vaca. (Un toro gay)

Estoy hecho pedazos. (Frankestein)

En casa nos llevamos a las patadas. (Kung Fu)

Me gusta la humanidad. (Un caníbal)

Al fin solos. (El Llanero Solitario)

El que llegue primero es un feto. (Los espermatozoides)

No veo la hora de irme. (Un ciego)

¡Basta de humor negro! (Ku Klux Klan)

Mi novia es una perra. (Pluto)

Aquí el que no corre, vuela. (Un terrorista)

No veo un pito. (Una monja)

Eres la única mujer de mi vida. (Adán)

Estoy encinta. (Scotch)

¡Se me estropeó el despertador! (La Bella Durmiente)

Es mejor dar que recibir. (Un boxeador)

Mi madre es una arrastrada. (Una culebra)

Levantaré a los caídos y oprimiré a los grandes. (El sostén)

domingo

Crónica do Fim Semana !!!

A Arte e o Sonho, ou há Países do Caraças...

Grande amador da verdadeira Arte que sou, estava há dias a passar os olhos sobre as célebres gravuras de Brueghel, quando uma delas me deixou estupefacto e verdadeiramente impressionado, quando me puz a observá-la. É aquela que se mostra abaixo e que, garanto, não é da minha lavra mas do grande Mestre Holandês, 1559-69:
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Isto fez-me lembrar qualquer coisa, e fiquei tão impressionado que, ao deitar, tive um sonho, ou antes, um terrível pesadelo.
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De facto, sonhei que vivia num País que, lentamente, se tinha vindo a transformar na maior área de exploração Agro-Pecuária da Europa, quiçá do Universo.
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A sua população estava dividida em dez estratos perfeitamente definidos:
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No topo da hierarquia, estavam os felinos, os todo-poderosos Lavradores, meia dúzia de Gatos-pingados auto-proclamados importantes, muitos que tinham amassado grossos Cabedais de modos ínvios e quase-secretos;
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Logo a baixo, estavam os Cães-Pastores, lacaios e capangas dos primeiros, indivíduos formados nos Partidos Políticos e que obedeciam, cegamente e sem vacilar, às directivas dos Lavradores, doesse a quem doesse. Estes dois estratos formavam as chamadas Élites.
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Logo a seguir, vinham os Porcos, que tinham como função nesta sociedade, comer toda a merda que as Élites, as Forças de Segurança e o Poder Judicial produziam. E acreditem que era muita.
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Era destes Porcos, em fim de vida útil, que se produziam os celebrados enchidos e secretos de Porco Preto, iguaria esta que os outros habitantes procuravam sofregamente, na esperança de ficarem a saber, por transferência genética, alguns dos segredos que eles guardavam até à cova (e isto em sentido amplamente figurado).
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As funções Judiciais eram desempenhadas por Macacos Monge, brasileiros, treinados pelos Pastores e, ocasionalmente, pelos próprios Lavradores, para ficarem aptos a resolverem casos mais bicudos, como os dos apitos (dourados, prateados ou simplesmente de pau, que também os havia), os dos peidófilos (pessoas que após ingerirem cabritinhos de leite, desenvolviam demasiada flatulência), e os do crimes de coleira branca e de abuso da manjedoura pública (ou de euros-gula).
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Eram chamados, pelos outros habitantes, de Macacos-Juízes.
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Para coordenar a Segurança e a Defesa, alimentavam-se bem as Mulas e importavam-se alguns Camelos bem ajaezados do Próximo Oriente. Obviamente, porque as Mulas , são sempre Mulas e os Camelos são escorreita e perfeitissimamente, Camelos.
No fim da cadeia, vinham as gentes comuns: as Vacas, os Bois, os Carneiros, os Cabrões e os Ratos.
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As Vacas, abriam as pernas e davam a toda a gente, a troco de mais palha;
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Os Bois, comiam o que as Vacas deixavam, e ruminavam em silêncio sobre os pares de cornos que os adornavam;
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Os Carneiros, faziam o que os Pastores lhes mandavam, e diziam “mééérda;
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Os Cabrões, aqueles que até sabiam que o eram, vagueavam pelas serranias;
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E os Ratos, escondidos nos alfôbres das Élites, farejando daqui e dali, iam comendo as migalhinhas que caíam das mesas para o chão. Dizia-se, à boca pequena, que esperavam pelo aperfeiçoamento da Engenharia Genética para, num futuro próximo, ganharem mais corpulência e subirem aos postos dos Pastores, disfarçados de Coelhos, e muito discretamente, alguns mantinham a secreta esperança de um dia chegarem a Lavradores.
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Mas isto eram apenas mexericos, desconfiámos que de invejosos, visto que, como é seu apanágio, os Ratos estavam quietinhos que “nem ratos”, e ao mais pequeno ruído, fugiam para as suas tocas e esperavam que a crise passasse.
Para um observador incauto, e habituado a outras vidas, como eu, que vivo na mais sagrada e ampla Democracia e com uma Constituição que me garante Virtualmente Tudo, este tipo de Sociedade em franco desenvolvimento, poderia parecer mal organizada, imoral (ou amoral, se preferirem) ou até mesmo decadente.
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Mas após um exame mais profundo, cheguei rapidamente à conclusão, e ainda no sonho, que o não era – antes pelo contrário.
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Após uma eleição por voto secreto (eleição que era necessária porque as famílias de Lavradores, todas elas aparentadas entre si por casamento, concubinato ou simples infedilidade conjugal, previram esta necessidade Democrática para aquietar a população), o Novo Governo democraticamente eleito em cada quadriénio, cumpria logo de início de funções as suas promessas eleitorais e aplicava o seu Programa Económico, dividindo o Rendimento Bruto proveniente da Tributação Fiscal (que por sua vez era dividida em Impostos Directos, Indirectos, semi-Directos e semi-Indirectos, Especiais e Adventícios, sobre o que se gastava e o que ficava por gastar, sobre os negócios e transacções (obviamente excluíndo Bancos, Companhias de Seguros, Empresas Estatais, pré-Estatais, pró-Estatais ou com comparticipação do Estado - Casinos e Casas de Jogo, Bares de Alterne e Equiparados (Casas de Meninas), Distribuição de Droga, Casas de Chuto, e outras Sociedades Civís sem Fins Lucrativos para
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Protecção dos Mais Carenciados, como se segue:
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• 85% do Orçamento Geral do Estado era consumido pelos Lavradores, parentes, amigos e conterrâneos, no Activo ou nos Quadros de Reserva do Estado, porque isto era um Estado de Direito... e de Graça.
• 9% do mesmo Orçamento era destinado à melhoria dos vencimentos dos Pastores, normalmente de 200%, cuja incansável actividade partidária tinha garantido a Eleição do Novo Governo, para assegurar que esta laboriosa classe viesse a garantir a Eleição do próximo.
• 1% exclusivamente para as vacas mais vistosas, que davam os leites (leia-se leitos) a Lavradores e a alguns Pastores mais importantes.
• 1% eram aplicado no aumento das Pensões de Reforma dos Lavradores e Pastores, que seria indigno para o país que fossem abaixo dos 30% ao ano.
• 4% restantes, para distribuír pela população, dentro da conhecida teoria do “cavalo do inglês”, não precisam de comer muito porque engorda, e a gordura é uma doença anti-social.
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Estes 4% eram equitativamente repartidos como segue:
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- 1% para os Porcos, responsáveis pela Higiene, Ecologia e Bom Nome da Nação;
- 1% para os Macacos-Juízes;
- 1% para as Mulas e Camelos;
- 1% para distribuír pelo resto da população, atendendo às seguintes prioridades:
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Metade para as Vacas, ou seja, mais 100 gramas mensais de ração especial à base de Farinha de Peixe, importada de Espanha, que lá nesse país, os habitantes já não gostavam do mar e pescar é bom para o preto.
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Bois, a outra metade, ou seja, mais 50 gramas mensais de palha liofilizada, proveniente do Canadá;
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Carneiros, ficavam na mesma, que fossem lá protestar com méés para o caraças;
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Cabrões, não levavam nada porque, envergonhados, tinham paradeiro incerto;
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Ratos, também não levavam nada, porque nunca faziam ouvir a sua voz.
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Os Reformados, de Porcos para baixo, não levavam nada, ou tirava-se qualquer coisinha, para ver se morriam depressa e assim ajudavam a equilibrar as Contas da Segurança Social.
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As reuniões ministeriais, entre Ministros ( todos Lavradores, Pastores e, ocasionalmente, um ou outro Camelo, Mula, Vaca ou Carneiro em vias de ascensão social), tinham chegado a um modus-operandi extremamente funcional e produtivo: como ninguém percebia nada dos assuntos em agenda, ficavam todos à espera da primeira “bacorada” que saísse, fosse quem fosse que a originasse (ao contrário do que se podia pensar, neste País as “bacoradas” não eram atributo exclusivo dos Porcos, pelo contrário, quanto mais alto estivesse o personagem, mais “bacoradas” podia dizer. (Não é aqui nem o local nem a hora, mas estou a preparar o “Livro Vermelho das Bacoradas” ditas pelos Lavradores e Pastores deste Governo,daquele, do do sonho, que tal como o Princípe do Maquiavel de antigamente, o Protocolo dos Sábios do Sião ou mesmo o 1984 do Orwell, irá ter lugar nas mesinhas de cabeceira dos próximos Governantes.
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Nestes calmos conciliábulos, o Chefe do Governo (que por acaso até era engenhêro) fingia pensar demoradamente sobre a “bacorada” expressa, e acabava dizendo: “ tá bem, deixem fugir a medida que nos propomos tomar para os media – se houver protestos, publicamos um desmentido, e tomamos a medida contrária, se ninguém protestar, só falta publicar a Lei.
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E assim, a Concertação Social entre todos os Sectoress do Estado e da Administração Pública, e a população em gera,l era perfeita e cobria todas as actividades não produtivas do País, porque na realidade, ninguém produzia a ponta de um corno: quando não quando, o Sindicato Democrático dos Carneiros, cujo Secretário-Geral era um Pastor “under-cover”, fazia uns gemidos em surdina e organizava as Grandes Festa da Carneirada, enquanto o Sindicato Social-Democrático dos Bois Castrados, dirigido por outro Pastor difarçado, fazia algumas manifestações Nacionais, com bem badaladas Vacas da TV, para a qual todos pagavam o respectivo imposto. Até os Mulas e os Camelos quizeram constituír um Sindicato, mas depois de alguns assobios do Pastor da Tutela e de ver os dentes do cães-polícia, contentaram-se com Associações. Que, diga-se de passagem, têm sido muito úteis, dado que com a quotização entre os membros, já podem comprar através da Associação, com descontos, a prestações e até a pagar com senhas de almoço, os coletes de segurança, os fardamentos estragados em perseguição de criminosos e Mk23 de contrabando, em vez de pagarem tudo à cabeça ou usar as Walter de 1941, em saldos de surplus de fins da Grande Guerra.
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Mas quer umas quer outras reuniões desta bicharada, acabavam sempre em bem, só com uns copitos a mais, porque “dar de beber à dor é o melhor, lá dizia a Mariquinhas”.
Os maiores espectáculos e actividades culturais desta Sociedade, em que a população se dignificava e ilustrava, eram:
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- Os dias da publicação das revistas cor-de-rosa, em que (pastores altamente especializados) inventavam notícias e escândalos, para alimentar a despudorada imaginação das Vacas de todas as raças, credos e opiniões políticas.
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- Os dias da publicação de jornais e revistas desportivas, nas quais escreviam conhecidos Pastores, e um ou outro Carneiro promovido, cujas opiniões, por vezes diametralmente opostas sobre a excelência dos Carneiros deportistas, as malandrices do Capãozinho do Litoral ou do Major Laureado ocupavam Bois, Carneiros e Cabrões durante a semana, sem mais distúrbios que umas ocasionais e inofensivas marradas uns nos outros.
As distracções populares eram:
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- Às horas das 14.800 telenovelas, horárias, diárias e semanais, de todas as procedências (do Brasil à Indonésia, e isto é que é Democracia, ver merda sem atender à origem, qualidade ou credo), actividade que substituiu a Bíblia como ópio do povo, de acordo com os mais variados Blocos de Esquerda e de Direita, ficar aparvalhados à frente do Televisor, 80% a ressonar.
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- As transmissões directas da Assembleia da República, que eram, de forma geral, um gozo ver, muito mais hilariantes que as débeis representações dos Miaus Fedorentos (e estes, realmente, fediam), obtinham records de audiência.
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- Também muito apreciados eram os discursos Trágico-Cómicos dos Presidentes da República (semi-Divinos e meditabundos Verbos de Encher) e dos Pastores ligados à Governação, especialmente nas alturas Eleitorais, principalmente porque não eram interrompidos por anúncios e podia-se dormir à vontade.
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Os desportos mais concorridos dos pobrezinhos (que ainda existiam um ou outro, mas por vontade própria, porque as oportunidades de dizer “bacoradas” eram iguais para todos, embora que uns mais iguais que outros), eram:
- passar os dias das semanas nas longas filas dos Postos da Segurança Social e nas Urgências dos
Hospitais.
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- Como desporto nocturno, repartia-se o povo entre duas actividades muito populares – ou contar à noite os centimos para no dia seguinte irem gastá-los nos remédios sem desconto da Farmácia ( e a Segurança Social aqui neste País não dava para tudo), ou em serões em família: o pai dava traques e a família aplaudia.
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Uma particularidade especial desta Sociedade, era o descaramento, a desfaçatez e a impunidade com que os Pastores “chegavam, diziam, tiravam o chapéu e iam-se...para Grandes Empresas ”.
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Estou-me a lembrar de ter sonhado, como que ao vivo, que assistia a uma cena protagonizada por um Pastor que não fazia parte das castas que mencionámos (este, por estranho acaso, era um Rato), que a dada altura de dez anos atrás, tinha dado uma entrevista dentro de uma estação de Metro, próximo (no espaço e na qualidade) das Obras de Sta Engrácia, à RTB (Rádio-Televisão da Bacorada), num cenário de Pastores vestidos a rigor, com capacetes de obras, apressados retoques de make-up, e tudo.
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Esta entrevista tinha sido dada e transmitida por todos os Canais devido ao facto do corredor por onde passaria o Metro, ter aluído. O Pastor-Ministro, pelos vistos perito em Obras Públicas, como se viria a comprovar mais tarde, com voz grave, dicção pausada, muito sério e o ligeiro sotaque saloio que o caracterizava, disse para quem o quiz ouvir : “Podeix xestar dexcanxados, porque a obra vai ficar pronta no prajo e xem encargus adixionais pró pobo”.
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Demitiu-se, quando deu outra bronca, mas dez anos depois a população do país ficou a saber que
apenas teve que pagar, a mais, trinta milhões de aérios (nome que neste país se dava à moeda corrente, pela velocidade com que voava das mão de cada um), fora o que ainda iria escorrer, quantia a todos os títulos, insignificante...para ele, Pastor, que por acaso até foi a Presidente do Conselho de Administração da Construtora do Gil (aquela que construía o túnel do Metroplitano mas também a Casa do Gil).
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O Pastor-Rato, por onde andava ? Passado à clandestinidade mediática, algumas investigações subsequentes levaram à conclusão de que afinal não era bem um Rato vulgar, mas um Rato corpulento a quem alguém teria cortado o rabo e com três intervenções de cirúrgia plástica, passava por Coelho. Como todos os outros seus colegas de espécie, ficou caladinho que nem um rato e nunca mais ninguém o viu...ou culpabilizou. Espantoso!
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Deste Pastor-Rato-Coelho, contavam-se muitas Histórias e só a título de exemplo vou contar uma que ouvi repetidas vezes de Carneiros diferentes: dizia-se que o Pastor-Rato-Coelho, no princípio da carreira, tinha ido em visita oficial à Itália e tinha sido recebido em casa do Ministro da Obras Públicas do Berlusconi.
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À chegada, ficou estupefacto com o “estadão” do Ministro: Palacete Renascentista, frota de 14 automóveis (em que o mais baratinho era o Rolls Silver Shadow) 6 motas de alta cilindrada (entre as quais uma Laverda de edição limitada), um helicóptero no seu heliporto nas trazeiras, jardim semi-tropical, duas piscinas Olímpicas (uma delas coberta e com aquecimento centra), um camião atrelado a um semi-reboque que ostentava um iate de 48 metros, enfim, o Pastor-Rato-Coelho estava sem fala, mas por fim titubeou – “Ma, ma, lei sei Rico? E o Ministro disse – “Io, rico ?, No, no, vedi quella autostrada ?” E o Pastor Coelho “–Ma, ma, qualle autostrada ?” e o Ministro, secamente – “Precisamente !”
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Depois da bronca da Estação do Metro, foi a vez do Italiano visitar este maravilhoso País da Carneirada, e o Pastor-Rato-Coelho lá estava no Aeoporto à espera do jacto particular do Ministro, ao volante do seu Maseratti 4.2. Levou-o à Quinta da Marinharia (chama-se da Marinharia porque se assume que os que lá vivem, são como os marinheiros, nem carne, nem peixe) e foi a vez do Italiano ficar deslumbrado: 18 hectares de relva, com canteiros floridos por tudo quanto era sítio, caminhos na relva em mármore de Vila Viçosa, via Carrara, estátuas helénicas dignas de Museu, um Palacete árabe com retoques Rócócó (na verdade mais cócó que Ró), e em frente da entrada, 22 carros de colecção digna dum Príncipe Saudita, 12 motas, 2 motas de areia, 5 motas d’água, três iates nos respectivos semi-reboques, dois helicópteros (um dos quais da Força Aérea com piloto e tudo), enfim, o Italiano estava embasbacado e disse “, Ah, ma ancora lei si, lei e rico “ . E o Pastor Coelho respondeu “No, no, vedi quella stazione di Metro ? E o Italiano perguntou- “Qualle, quella qui no lavora sei ani fa ?” E o Pastor Coelho respondeu – “Precisamente”.
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Toda a população, Bois, Carneiros, Cabrões, Ratos (aqueles que não têm posses para se tornarem Coelhos) e muitas das Vacas, tem um medo que se pela de se dirigir a Tribunais, Polícias, Finanças, Repartições Públicas ou Autárquicas, Hospitais, enfim, de todas as Instituições que cheirem, mesmo que levemente, a Governo; e este medo tem ampla razão de ser: entram de peito feito e saiem de lá por duas portas: por uma, tosquiados até à medula, por outra, presos, prenhos e entregues ao Governo, com penhora automática dos bens que possuirem. Mas isto só acontece de Porcos para baixo.
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A propósito, fiquei a saber que uma das actividades preferidas da Élite daquele País, era inventar, e fazer chegar aos Media (através dos Porcos, claro está), aleivosias graves sobre os seus colegas que estavam no Governo ou que tinham atingido lugares de proeminência social (assim como a fama do Clinton).
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Contou-me uma idosa Senhora, que morava lá para Belém do Pará, que um dia rebentou um escândalo sobre uns figurões que contratavam meninos (mas já espigadotes), directa ou indirectamente (através dos Porcos, sempre os Porcos), e espalhou-se que neles praticavam sevícias sexuais. Esta cena parece, pelo que a idosa Senhora me disse, que foi uma “fita” que deu brado !
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Ele foi investigações de Mulas e Camelos, ele foi audiências de Macacos-Juízes, ele foi Pastores-Procuradores, Pastores-Advogados, Pastores-Comissários, Carneiros-informadores, foi um verdadeiro pandemónio. Um dos Macacos-Juízes, novo no lugar e que batia muitas vezes no peito, assim tipo Tarzan, mandaram-no pastar caracóis para uma terreola de 223 habitantes, que lá não tinham Macaco-Juíz, e “considere-se promovido e não diga que vai daqui”, disse o Ministro da Tutela.
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Ao fim e ao cabo, o Processo foi Arquivado, não por falta de provas, como alguns ignobilmente alardearam, mas antes pelo contrário, por as provas serem em demasia e contraditórias: verificou-se que os meninos (já espigadotes), não eram seviciados, mas que, pelo contrário, recebiam uns “presentes” mas era para “paparem” os tais figurões que os contratavam.
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Os figurões em causa tiveram que passar a vestir-se de Travestis e frequentar o bar de Gays que um qualquer maroto Presidente da Câmara (diziam que de passado duvidoso, cala-te boca) tinha inaugurado na cidade havia algum tempo.
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A mesma Senhora disse-me ainda que o que estava a dar, lá nesse país, era abrir contas na Suíssa, não para fugir ao Fisco ou para lavandaria de aérios, nada disso, mas para depositar os dinheiros para a subsistência dos familiares que por lá andavam perdidos, sem eira nem beira, coitados. Até a Suissa ja anda tão por baixo !
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Falou-me de um caso, que chegou a ser noticiado na página 9 (a dos anúncios) de alguns tablóides, protagonizado pelo Presidente da Câmara Municipal das Eiras, que apenas lá tinha uns tostões depositados a favor dum primo, porque parece que teria negociado uns terrenos, lá nas Eiras, que eram desse primo e estava a pagar-lhe em prestações mensais, pobre mas muito honesto Pastor, conforme podia.
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Afinal, e depois de muito bem investigado o caso, a denúncia tinha sido falsa (inveja, neste Páis, há muita), o Pastor-Presidente foi apenas condenado a Serviço Cívico, e lá voltou para Presidente da Câmara das Eiras
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Esta Senhora e as amigas, que se encontravam todas as tardes “às cinco en punto” para o ritual do cházinho da Dona Ângela, e para distribuír alguns pares de bandarilhas nas efígies de vacas e carneiros mais notórios, contaram-me tantas histórias que, se eu as tentase escrever, dariam mais volumes de capa e espada (salvo seja) que o Rocambole do Ponson du Terrail. Mas eu não quero ser tão famoso como a Oprah e não conto mais.
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Acordei, em sobressalto, com o despertador fisiológico a dizer-me que estava na hora do chi-chi nocturno; com um travo amargo na boca e a estranha sensação de que já “tinha visto este filme”, lá fui mudar a água ao bacalhau e emudecer os alarmes angustiantes da bexiga.
Depois de lavar as mãos e de algum meditar, fui à estante buscar um Livro e fez-se luz no meu conturbado espirito.
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Os Lavradores e Pastores daquele País estavam a seguir, à letra, os conselhos do Protocolo dos Sábios do Sião. Vejamos só um exemplo do Capítulo V, Como tomar conta da opinião pública ?: “...O segundo (segredo) para governar com êxito, consiste em multiplicar de tal modo os defeitos do povo, os hábitos, as paixões, as regras de viver em Comum, que ninguém possa deslindar esse caos e que os homens acabem por não se entederem mais uns aos outros. Essa tática terá ainda como efeito lançar a discórdia entre todos os partidos, desunindo todas as forças colectivas que ainda não queiram submeter-se a nós; ela desanimará qualquer iniciativa, mesmo genial, e será mais poderosa do que os milhões de homens nos quais semeamos divergências...” .
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Só acrescento que, pela nova classificação de Países Mundiais inventada pelos Americanos (quando estavam a construír Guantanamo, e por lá já passaram muitos americanófilos e irão passar muitos mais), ou seja Países do Primeiro Mundo, do Segundo Mundo e do Terceiro Mundo, eu sei que o Senhor Bush disse que existiam, e que realmente existem, alguns países, como este com que sonhei, que não cabem em nenhuma destas categorias, pois já nem sequer chegam aos calcanhares das tradicionais Repúblicas das Bananas (que infelizmente continuam desclassificadas) – são, outrossim, países de Bananas, governados por Sacanas.
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Mas o diacho do sonho deu-me muito que pensar – tanto, que já não consegui reatar o sono e fui para a cozinha fazer uma dobrada à moda do Porto, com um tinto de Vinhais, petisco que sabe sempre bem a qualquer hora. Mesmo às cinco da manhã.
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Teria mesmo sido um Sonho ? ou reminiscências de memórias ? ou presciência futura ?
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“Qui sa, qui sa, qui sa”, como diria o Nat King Cole.

sábado

Viagem pelo Porto

Sempre Lisboa !!!

Quando os gelados não agradam .........

RECEITAS TRADICIONAIS ALENTEJANAS
O Alentejo é cheio de tradições e a cozinha tradicional alentejana é uma arte. Durante muitos séculos foram imaginadas, criadas e confeccionadas receitas que foram transmiti-das ao longo de várias gerações.
Noutros tempos a alimentação das famílias estava limitada ao que era cultivado, para além de que o trabalho exigia muito esforço físico e as refeições tinham alto valor calórico. Com o passar dos anos e com a mudança de hábitos da sociedade as necessidades nutri-cionais foram-se alterando, daí que podemos e devemos manter a nossa tradição, embora tenhamos de fazer algumas modificações, quer a nível da confecção de alguns pratos tradicionais, quer a nível da frequência com que os consumimos (não mais do que duas vezes por mês).


CONSELHOS PARA TORNAR AS RECEITAS MAIS SAUDÁVEIS

Quado a receita não contém produtos hortícolas pode acompanhar com salada ou legumes cozidos; Evite os refogados e os guisados, opte por colocar todos os alimentos em cru ao mesmo tempo; Prefira as receitas em que os alimentos são cozidos, grelhados ou estufados; Utilize ervas aromáticas e diminua a quantidade de sal utilizada; Retire as gorduras visíveis à carne e a pele das aves e do peixe; Opte sempre por consumir carnes magras; Diminua as quantidades de gordura que adiciona aos alimentos quando tempera e quando cozinha; Em vez de utilizar a gordura de confecção das carnes, deve usar o azeite; Prepare marinadas (vinho branco, ervas aromáticas, etc.) para que os alimentos fiquem mais saborosos; Para a confecção de sopas e outros cozinhados evite o uso de caldos con-centrados.

GASPACHO À ALENTEJANA
Ingredientes
3 dentes de alhos
½ colher de sopa de sal
2 colheres de sopa de azeite
4 colheres de sopa de vinagre
½ pepino
2 tomates bem maduros
1 pimento verde
1,5 L de água fria
200 g de pão duro
Orégãos q.b.

Modo de preparação:
Esmagam-se muito bem os dentes de alho num almofariz juntamente com o sal até se obter uma papa, que se coloca no fundo de uma terrina.
Rega-se com o azeite, o vinagre e junta-se os orégãos.
Pela-se o tomate e reduz-se a puré, que se adiciona ao preparado anterior. Em seguida corta-se em quadradinhos pequeninos, o pepino e o outro tomate, e o pimento em tiras fininhas. Introduzem-se na terrina, juntando-se de seguida a água fria.
Na altura de servir, junta-se o pão cortado em cubos pequenos e serve-se bem fresco.

SUGESTÕES:

Pode-se acompanhar com peixe grelhado em vez de peixe frito

quinta-feira

Earth Song - Michael Jackson



O vídeo é do single de maior sucesso de Michael Jackson no Reino Unido, que não foi nem "Billie Jean", nem "Beat it", e sim a ecológica "Earth Song", de 1996.
A letra fala de desmatamento, sobrepesca e poluição, e, por um pequeno detalhe, talvez você nunca terá a oportunidade de assistir na televisão.
O Detalhe: "Earth Song" nunca foi lançada como single nos Estados Unidos, historicamente o maior poluidor do planeta. Por isso a maioria de nós nunca teve acesso ao clip.
Ou seja, o que não passa nos EUA, não passa no resto do mundo. Só mostram o que lhes interessa e só assistimos ao que eles querem.
Veja, então, o que os americanos nunca mostraram de Michael Jackson.
Filmado na Africa, Amazonia, Croácia e New York.
Emocionante!

domingo

Perguntem a Cavaco Silva


Tenho umas perguntinhas a sugerir à nossa prestimosa comunicação social, que anda sempre com falta de assuntos e é muito distraída.

A quem é que Cavaco e a filha compraram, em 2001, 254 mil acções da SLN, grupo detentor do BPN?

O PR disse há tempos, em comunicado, que nunca tinha comprado nada ao BPN, mas «esqueceu-se» de mencionar a SLN, ou seja, o grupo que detinha o Banco.
Como as acções da SLN não eram transaccionadas na bolsa, a quem é que Cavaco as comprou?

  • À própria SLN?
    A algum accionista?
    Qual accionista? (Sobre este ponto, ver adiante.)
    Outra pergunta que não me sai da cachimónia:
    Como é que foi fixado o preço de 1 euro por acção?
    Atiraram moeda ao ar?
    Consultaram a bruxa?
    Recorreram a alguma firma especializada?
    Curiosamente, a transacção foi feita quando o BPN já cheirava a esturro, quando o Banco de Portugal já «andava em cima do BPN», ao ponto de Dias Loureiro (amigo dilecto de Cavaco e presidente do Congresso do PSD), ter ido, aliás desaconselhado por Oliveira e Costa, reclamar junto de António Marta, como este próprio afirmou e Oliveira e Costa confirmou.

  • Outra pergunta:
  • Cavaco pagou?
    E se pagou, fê-lo por transferência bancária, por cheque ou em cash? É importante saber se há rasto disso.
  • Passaram dois anos.
    Em carta de 2003 à SLN, Cavaco alegadamente «ordenou» a venda das suas acções, no que foi imitado pela filha. Da venda resultaram 72 mil contos de mais valias para ambos. Presumo que essas mais valias foram atempadamente declaradas ao fisco e que os respectivos impostos foram pagos.

Tomo isso como certo, nem seria de esperar outra coisa.

Uma coisa me faz aqui comichão nas meninges. Cavaco não podia «ordenar» a venda das acções (como disse atrás, não transaccionáveis na bolsa), mas apenas dizer que lhe apetecia vendê-las, se calhasse aparecer algum comprador para elas. A liquidez dessas «poupanças» de Cavaco era, com efeito, praticamente nula. Mas não é que o comprador apareceu prontamente, milagrosamente, disposto a pagar 1 euro e 40 cêntimos de mais valia por cada acção detida pela família Cavaco, quando as acções nem cotação tinham no mercado.

E quem foi o benemérito comprador, quem foi?

Com muito gosto esclareço, foi uma empresa chamada SLN Valor, o maior accionista da SLN.

Cito o Expresso online:

«Cavaco Silva e a filha deram ordem de venda das suas acções, em cartas separadas endereçadas ao então presidente da administração da SLN, José Oliveira Costa. Este determinou que as 255.018 acções detidas por ambos fossem vendidas à SLN Valor, a maior accionista da SLN, na qual participam os maiores accionistas individuais desta empresa, entre os quais o próprio Oliveira Costa.»

Ou seja, Oliveira e Costa praticamente ofereceu de mão beijada 72 mil contos de mais-valias à família Cavaco. E se foi Oliveira e Costa também a fixar o preço inicial de compra por Cavaco, então a coisa é perfeitamente clara.
Que terá acontecido entre 2001 e 2003 para as acções de uma empresa que andava a ser importunada pelo Banco de Portugal terem «valorizado» 140 %?
Falta, neste ponto, esclarecer várias coisas, a primeira das quais já vem de trás:

  1. a quem comprou Cavaco e a filha as acções?
  2. terá sido à própria SLN Valor, que depois as recomprou?
  3. porque decidiu Cavaco vendê-las? Não tendo elas cotação no mercado, Cavaco não podia a priori esperar realizar mais-valias.
  4. terá tido algum palpite, vindo do interior do universo SLN, só amigos e correligionários, para que vendesse, antes que a coisa fosse por água abaixo?
  5. terá sido cheiro a esturro no nariz de Cavaco? Isso é que era bom saber!
  6. porque quis a SLN Valor (re)comprar aquelas acções? Tinha poucas?
  7. como fixou a SLN valor o preço de compra, com uma taxa de lucro bruto para o vendedor de 140% em dois anos, a lembrar as taxas praticadas pela banqueira do povo D. Branca?

    E já agora, se Cavaco Silva é tão preocupado com a pobreza e a inclusão dos cidadãos mais desvalidos, por que não aufere apenas o ordenado de Presidente da República?!Será porque é mal pago e tem que acumular com as reformas de professor, do Banco de Portugal e de primeiro-ministro?!
    Se estivesse sinceramente preocupado com os pobres e a recuperação das finanças do Estado, não deveria e poderia dar o exemplo e renunciar às reformas enquanto estivesse no activo?!
Antes do Governo do dito senhor era assim, só se auferiam as reformas depois de deixar completamente o activo e os descontos eram englobados e pagas numa única prestação!

Que espera o professor para dar um exemplo de Catão como é o do seu apoiante Ramalho Eanes, o único que renunciou ao pagamento de muitos milhões que o Estado lhe devia?

Afinal o dinheiro de todos e que é dos nossos impostos tem um valor muito diferente, consoante a moral dos governantes sérios e dos que se governam …

Por hoje não tenho mais sugestões de perguntas à comunicação social.

sábado

O factor VARA


Ultimamente tenho sido industriado num conceito novo sobre a vida que é também uma filosofia de vida: ser "leve". Ser "leve" é o contrário de ser "pesado", é, parece, a capacidade de levar as coisas sempre de uma forma ligeira, de não se preocupar demasiadamente com nada nem dar demasiada importância a coisa alguma. Aconteça o que acontecer, façam o que fizerem, as pessoas "leves" levam tudo na despreocupada: nada deve ser suficientemente grave ou importante para que deixem de rir e de sorrir todo o tempo e em todas as circunstâncias. Trata-se de um conceito moderno e urbano, que a mim me deixa um pouco baralhado, até porque nos últimos anos tenho aprendido a preferir cada vez mais a chuva no campo do que os dias cinzentos na cidade. É verdade que os portugueses sorriem pouco e que sorrir faz bem à saúde e torna as pessoas mais bonitas. Mas lembro-me de a minha mãe dizer que os que vivem eternamente felizes e despreocupados, sempre a rir ou a sorrir, ou são parvos ou são inconscientes. Sim, porque é difícil distinguir onde acabam as virtudes de ser "leve" e começa a estupidez de ser leviano. A fronteira não é clara e há-de ser estreita.

Mas de uma coisa estou certo: só se pode levar as coisas numa "leve" quando se tem condições para tal. Quem vive em quadros de miséria e carência, quem tem da vida urbana uma paisagem de subúrbios desumanizados, quem tem problemas sérios de saúde, quem viu morrer um filho ou alguém muito próximo e amado, quem viu morrer uma após outra todas as ilusões, ou não é "leve" ou anda a Prozac. Poder ser "leve" é um privilégio, não toca a todos.

Mas tenho andado a pensar seriamente no assunto - tentando, claro, pensar de uma forma "leve", para que faça sentido. Muita gente, e leitores meus, acham que eu me indigno vezes de mais com coisas de mais. Não valeria a pena. Há um tipo que escreve sobre mim num blogue e que se irrita sobremaneira com o que ele acha ser a minha indignação permanente e traça de mim um retrato, até físico, que me deixa abalado. Preocupam-me, então, duas coisas: a minha recorrente indignação, tal como ele a descreve, e o facto de a minha indignação acarretar a indignação dele. Vou tentar mudar, a bem dos dois.

Em vez de dizer que as coisas me indignam ou revoltam, vou passar a dizer suavemente que elas me deprimem. Por exemplo: a história de Armando Vara, promovido ao nível máximo de vencimento na Caixa Geral de Depósitos e para efeitos de reforma futura, depois de já estar há dois meses a trabalhar na concorrência do BCP, é uma história que me deprime. Não, não, acreditem que, apesar de isto envolver o dinheiro que pago em impostos, esta história não me revolta nem me indigna, apenas me deprime. E de forma leve. Eu explico.

Toda a 'carreira', se assim lhe podemos chamar, de Armando Vara, é uma história que, quando não possa ser explicada pelo mérito (o que, aparentemente, é regra), tem de ser levada à conta da sorte. Uma sorte extraordinária. Teve a sorte de, ainda bem novo, ter sentido uma irresistível vocação de militante socialista, que para sempre lhe mudaria o destino traçado de humilde empregado bancário da CGD lá na terra. Teve o mérito de ter dedicado vinte anos da sua vida ao exaltante trabalho político no PS, cimentando um currículo de que, todavia, a nação não conhece, em tantos anos de deputado ou dirigente político, acto, ideia ou obra que fique na memória. Culminou tão profícua carreira com o prestigiado cargo de ministro da Administração Interna - em cuja pasta congeminou a genial ideia de transformar as directorias e as próprias funções do Ministério em Fundações, de direito privado e dinheiros públicos. Um ovo de Colombo que, como seria fácil de prever, conduziria à multiplicação de despesa e de "tachos" a distribuir pela "gente de bem" do costume. Injustamente, a ideia causou escândalo público, motivou a irritação de Jorge Sampaio e forçou Guterres a dispensar os seus dedicados serviços. E assim acabou - "voluntariamente", como diz o próprio - a sua fase de dedicação à causa pública. Emergiu, vinte anos depois, no seu guardado lugar de funcionário da CGD, mas agora promovido por antiguidade ao lugar de director, com a misteriosa pasta da "segurança". E assim se manteve um par de anos, até aparecer também subitamente licenciado em Relações Qualquer Coisa por uma também súbita Universidade, entretanto fechada por ostensiva fraude académica. Poucos dias após a obtenção do "canudo", o agora dr. Armado Vara viu-se promovido - por mérito, certamente, e por nomeação política, inevitavelmente - ao lugar de administrador da CGD: assim nasceu um banqueiro. Mas a sua sorte não acabou aí: ainda não tinha aquecido o lugar no banco público, e rebentava a barraca do BCP, proporcionando ao Governo socialista a extraordinária oportunidade de domesticar o maior banco privado do país, sem sequer ter de o nacionalizar, limitando-se a nomear os seus escolhidos para a administração, em lugar dos desacreditados administradores de "sucesso". A escolha caiu em Santos Ferreira, presidente da CGD, que para lá levou dois homens de confiança sua, entre os quais o sortudo dr. Vara. E, para que o PSD acalmasse a sua fúria, Sócrates deu-lhes a presidência da CGD e assim a meteórica ascensão do dr. Vara na banca nacional acabou por ser assumida com um sorriso e um tom "leve".

Podia ter acabado aí a sorte do homem, mas não. E, desta vez, sem que ele tenha sido tido ou achado, por pura sorte, descobriu-se que, mesmo depois de ter saído da CGD, conseguiu ser promovido ao escalão máximo de vencimento, no qual vencerá a sua tão merecida reforma, a seu tempo. Porque, como explicou fonte da "instituição" ao jornal "Público", é prática comum do "grupo" promover todos os seus administradores-quadros ao escalão máximo quando deixam de lá trabalhar. Fico feliz por saber que o banco público, onde os contribuintes injectaram nos últimos seis meses mil milhões de euros para, entre outros coisas, cobrir os riscos do dinheiro emprestado ao sr. comendador Berardo para ele lançar um raide sobre o BCP, onde se pratica actualmente o maior spread no crédito à habitação, tem uma política tão generosa de recompensa aos seus administradores - mesmo que por lá não tenham passado mais do que um par de anos. Ah, se todas as empresas, públicas e privadas, fossem assim, isto seria verdadeiramente o paraíso dos trabalhadores!

Eu bem tento sorrir apenas e encarar estas coisas de forma leve. Mas o 'factor Vara' deixa-me vagamente deprimido. Penso em tantos e tantos jovens com carreiras académicas de mérito e esforço, cujos pais se mataram a trabalhar para lhes pagar estudos e que hoje concorrem a lugares de carteiros nos CTT ou de vendedores porta a porta e, não sei porquê, sinto-me deprimido. Este país não é para todos.

P.S. - Para que as coisas fiquem claras, informo que o sr. (ou dr.) Armando Vara tem a correr contra mim uma acção cível em que me pede 250.000 euros de indemnização por "ofensas ao seu bom nome". Porque, algures, eu disse o seguinte: "Quando entra em cena Armando Vara, fico logo desconfiado por princípio, porque há muitas coisas no passado político dele de que sou altamente crítico". Aparentemente, o queixoso pensa que por "passado político" eu quis insinuar outras coisas, que a sua consciência ou o seu invocado "bom nome" lhe sugerem. Eu sei que o Código Civil diz que todos têm direito ao bom nome e que o bom nome se presume. Mas eu cá continuo a acreditar noutros valores: o bom nome, para mim, não se presume, não se apregoa, não se compra, nem se fabrica em série - ou se tem ou não se tem. O tribunal dirá, mas, até lá e mesmo depois disso, não estou cativo do "bom nome" do sr. Armando Vara. Era o que faltava!

Lisboa......

quinta-feira

Lisboa (muito antiga)



Fotos muito antigas de Lisboa, convertidas em video.
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