quinta-feira

Nota de Humor !!!

Nota de Humor:

Afinal ganhámos! Caro Rei Juan Carlos, Majestade, O nosso País exprime-lhe a sua gratidão e ao seu povo, por terem ganho a Taça do Mundo. Como sabe, pelo acordo de Tordesilhas, pertencem a Portugal todas as conquistas efectuadas a leste de Meridiano 46º 37', pelo que agradeço que com brevidade possível seja enviada a Taça para Lisboa bem como os valores recebidos. Anibal Cavaco Silva.
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terça-feira

Adivinha da semana

Adivinha da semana

0- Tem um processo em curso de investigação
1- Negou coisas que o seu chefe disse
2- Esteve muito ligado ao PSD
3- Sabe fazer umas cantarolas
4- Também sabe jogar golfe
5- Desde há uns meses nunca mais se ouviu falar dele

De quem falamos ????
Resposta:

- Dias Loureiro!...

A viver actualmente à grande e à fartazana em Cabo Verde. É o dono do maior Resort Turistico da Ilha do Sal...

(... é aquela ilha, daquele país africano onde o BPN criou umas "sucursais" e um banco mais ou menos virtual, com que se faziam umas operações de lavagem e fugas ao fisco, etc, etc...)

PS: Alguém dá por ele na nossa imprensa? O que nos leva a pensar tal esquecimento..? Como vêem é fácil fazer esquecer um roubo superior a mais de 4 mil milhões de euros, quando se tem amigos...por todo o lado...

quarta-feira

A ANEDOTA em que se transformou o nosso País:

A ANEDOTA em que se transformou o nosso País:


Um jovem de 18 anos recebe 200€ do Estado para não trabalhar;

Um idoso recebe de reforma 236€ depois de toda uma vida do trabalho.

*****

Um marido oferece um anel à sua mulher

E tem de declarar a doação ao fisco.

*****

O mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador

E demora 3 anos a corrigir o erro.

*****

Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para cada 2000 habitantes;

O Governo diz que não precisa de mais polícias.

*****

Um professor leva uma coça de um aluno

E o Governo diz que a culpa é das causas sociais.

*****

O café da esquina fechou porque não tinha WC para homens, mulheres e empregados.

No Fórum Montijo o WC da Pizza Hut fica a 100 metros

E não tem local para lavar mãos.

*****

O governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao petróleo e depois multa quem coloca óleo vegetal nos carros porque não paga

ISP (Imposto sobre produtos petrolíferos).

*****

Nas prisões são distribuídas gratuitamente seringas por causa do HIV, mas é proibido consumir droga nas prisões!

*****

No exame final de 12º ano se és apanhado a copiar chumbas o ano,

O primeiro-ministro fez o exame de inglês técnico em casa, mandou-o por fax num domingo e é Engenheiro.

*****

Um jovem de 14 anos mata um adulto, não tem idade para ir a tribunal.

Um jovem de 15 leva uma chapada do pai, por ter roubado dinheiro para droga, é violência doméstica!

*****

Uma família a quem a casa ruiu e não tem dinheiro para comprar outra, o estado não tem dinheiro para fazer uma nova, tem de viver conforme podem.

Seis Presos que mataram e violaram idosos vivem numa cela de 4 e sem wc privado, não estão a viver condignamente e a associação de direitos humanos faz queixa ao tribunal europeu.

*****

Militares que combateram em África a mando do governo da época na defesa de território nacional não lhes é reconhecido nenhuma causa nem direito de guerra, mas o primeiro-ministro elogia as tropas que

estão em defesa da pátria no KOSOVO, AFEGANISTÃO E IRAQUE.

*****

Começas a descontar em Janeiro o IRS e só vais receber o excesso em Agosto do ano que vem, não pagas as finanças a tempo e horas passado um dia já estas a pagar coima e juros.

*****

Fechas a janela da tua varanda e estas a fazer uma obra ilegal, constrói-se um bairro de lata e ninguém vê.

*****

Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos o pões a trabalhar contigo num ofício respeitável, é exploração do trabalho infantil,

Se és artista e o teu filho com 7 anos participa em gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais, a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe!

*****

Numa farmácia pagas 0.50€ por uma seringa que se usa para dar um medicamento a uma criança.

Se fosse drogado, não pagava nada!

Obrigado Portugal. Estamos ORGULHOSOS.

E agora? Sim eu sei, vais voltar a olhar para o teu umbigo e dizer que tudo está bem, ou se disseres que está mal... Que pensas fazer em relação a isto?

Deixar que os outros resolvam por ti? Então mereces tudo isto em dobro.

Mexe-te e mostra a tua indignação ou em breve poderás ser tu e os teus dentro destas estatísticas e o teu vizinho farão como tu. Olhará Para o lado.

segunda-feira

Sarau da UATI

As minhas Pinturas



Aqui ficam os meus trabalhos de feitos na aula de pintura da UATI., não deixo de estar «babado» por a minha Africana ter sido seleccionada para capa da exposição.

A todos os colegas e especialmente ao meu grande amigo Prof. Ribeiro os meus agradecimentos.
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domingo

Exposição da UATI



No passado dia 11 de Junho foi inaugurada a Exposição da UATI na Galeria Municipal de Albufeira.
Entre professores e alunos marcaram presença o Senhor Presidente da Câmara, a Senhora Vereadora da Cultura e o Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Albufeira assim como a Senhora Presidente da Associação dos Amigos de Albufeira.
Os trabalhos dos alunos expostos são de grande qualidade e beleza.
Vale a pena visitar esta exposição que ainda vai estar patente até o dia 2 de Julho com o horário das 10H30 às 16H30.

sexta-feira

Um incentivo para a Rosa dos Ventos


»A propósito de caminhadas, diz o Alberto David: (http://www.omokuna.blogspot.com/) esta coisa das caminhadas ambientais ou p’ra malta se ambientar, está a dar os seus frutos.

Segundo o seu relato, estes trajectos são organizados pelas juntas de freguesia cá do Algarve que em autocarros transportam as pessoas até ao local da partida para o respectivo passeio.

Diz o Alberto, que são passeios que rondam os 10 Km e que para os menos preparados a coisa fica pelos 5 ou 6 Km.

A foto que ilustra este post foi tirada numa dessas caminhadas em Alcoutim e que contou com cerca de 500 pessoas. Oh homem; isso não é uma caminhada, é mas é, uma manifestação!

Seja lá a distância que for, só o facto das pessoas poderem respirar o ar puro, caminharem ou socializarem, já valerá certamente a pena.

Esta coisa das caminhadas está a ganhar adeptos fervorosos. Durante aquela a que fui há pouco mais de uma semana, encontrei uma dessas profissionais, que nos seus 74 anos, sim 74 anos, quando não acompanhava o passo dos mais apressados, corria como há muito tempo eu não via correr uma pessoa daquela idade. Esta senhora segredou-me que não perde uma passeata. Diz que desde que as faz ganhou mobilidade e anos de vida.

O meu amigo Pardal contou-me que na primeira caminhada que fez havia um conterrâneo nosso de seu nome Evaristo que com a provecta idade de 87 anos fez um percurso de 14 Km. Dá gosto ver esta gente renascer!»


As nossas maravilhas vistas pelos Espanhóis



mostrado pela TVE espanhola

Repassando com o comentário de Teixeira da Silva que subscrevo.

''Não faço quaisquer comentários sobre este trabalho ser apresentado pela TVE, pois como todos nós sabemos, os nossos realizadores da (RTP, SIC e TVI), têm mais que fazer que preocuparem-se com estas "ninharias"...

Quando tiverem tempo vejam este documentário incrivel, feito pela televisão espanhola (TVE), sobre Portugal.

Tem imagens simplesmente fantásticas, esplendorosas e magníficas.

Deixam-nos plenos de orgulho por termos um país tão bonito (mas infelizmente governado por incapazes). O documentário tem 56 minutos e começa no Algarve. Segue para o Norte, Alentejo, Centro e Lisboa (os minutos por localidades estão mais em baixo). Acho que nunca vi um trabalho tão bom na nossa televisão.

Ponte Lima 9,00 / Douro 13 / Porto 15 / Alentejo 22 / Évora 22,41 / Marvão 25,57 /

Castelo Vide 26,55 / Costa Alentejo 28 / Alcácer 29 / Aveiro 30 / Viseu 33 / Museu

Grão Vasco 34 / Coimbra 35,50 / Termas Monfortinho 40,47 / Monsanto 41,57 / Penha

Garcia 42,45 / Batalha 44,26 / Sintra 46 / Torre Belém 48,16 / Pastéis Belém 53,15 / Bº

Alto 53,58 / Cabo Roca 56, 07.

Espero que gostem...''

Endereço electrónico do video:
http://www.atrapavideo.com/es/video/ver/643208/Parasos-cercanos-La-2-02012010
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De um AMIGO !!!

I would never trade my amazing friends, my wonderful life, my loving family for less gray hair or a flatter belly. As I've aged, I've become kinder to myself, and less critical of myself. I've become my own friend. I don't chide myself for eating that extra cookie, or for not making my bed, or for buying that silly cement gecko that I didn't need, but looks so avante garde on my patio. I am entitled to a treat, to be messy, to be extravagant.

I have seen too many dear friends leave this world too soon; before they understood the great freedom that comes with aging. whose business is it if I choose to read or play on the computer until 4 AM and sleep until noon ? I will dance with myself to those wonderful tunes of the 60 &70's, and if I, at the same time, wish to weep over a lost love ..... I will.



Eu nunca trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, minha família amorosa para o cabelo menos cinza ou uma barriga mais lisa. Como eu envelheci, tornei-me mais amável para mim, e menos crítico de mim mesmo. Eu me tornei meu próprio amigo. Eu não censurar-me por que comer biscoito extra, ou por não fazer a minha cama, ou para a compra de cimento que gecko bobo que eu não precisava, mas parece tão avante garde no meu pátio. Eu tenho direito a um tratamento, para ser desarrumado, de ser extravagante.

Tenho visto muitos amigos queridos deixar este mundo cedo demais; antes eles entenderam a grande liberdade que vem com o envelhecimento. cuja actividade é que se eu optar por ler ou jogar no computador até as 4:00 e dormir até meio-dia? Vou-me a dançar com essas músicas maravilhosas dos anos 60 e 70, e se eu, ao mesmo tempo, o desejo de chorar por um amor perdido ..... Eu vou.
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segunda-feira

PINTURAS


Alguns trabalhos que irão ser expostos na Galeria da Câmara de Albufeira, juntamente com outras pinturas e trabalhos de Cerâmica de colegas da Universidade do Algarve para a Terceira Idade - Polo de Albufeira.
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sexta-feira

Do amigo FERNANDO

Há para aí muita maldade,
Vestida de real pureza,
Mas eu tenho a certeza,
Que engana muita bondade.

Médico que doença cura,
Tem que ter muito valor,
Há para aí muito doutor,
Mais parece que a descura.

Se o povo não se unir,
P`ra acabar com os vilões,
Levam-lhe as calças, calções,
Vem a escravidão a seguir.

Se regares o teu jardim,
Com muita, muita alegria,
Vai-se a tristeza, agonia.
Serás mais feliz assim.

Conduzir depressa ou mal,
Pode ser muito perigoso,
Mas condutor vagaroso,
Produz o choque frontal.

Vejo um macaco a olhar,
Para um homem, admirado,
Parece que está a pensar,
Terei por ali começado.

Extraído do livro "VAGAS, PRAGAS E ADAGAS"

Presentemente estou a trabalhar em azulejos para o MUSEU DO POETA, ALBUFEIRA e irei colocar alguns destes poemas em : omuseudopoeta.



sábado

Cantando Abril - Pedra Filosofal

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.


António Gedeão
In Movimento Perpétuo, 1956



quinta-feira

Cantando Abril - Eu sou Português Aqui

Eu Sou Português Aqui

Eu sou português
aqui
em terra e fome talhado
feito de barro e carvão
rasgado pelo vento norte
amante certo da morte
no silêncio da agressão.

Eu sou português
aqui
mas nascido deste lado
do lado de cá da vida
do lado do sofrimento
da miséria repetida
do pé descalço
do vento.

Nasci
deste lado da cidade
nesta margem
no meio da tempestade
durante o reino do medo.
Sempre a apostar na viagem
quando os frutos amargavam
e o luar sabia a azedo.

Eu sou português
aqui
no teatro mentiroso
mas afinal verdadeiro
na finta fácil
no gozo
no sorriso doloroso
no gingar dum marinheiro.

Nasci
deste lado da ternura
do coração esfarrapado
eu sou filho da aventura
da anedota
do acaso
campeão do improviso,
trago as mão sujas do sangue
que empapa a terra que piso.

Eu sou português

aqui
na brilhantina em que embrulho,
do alto da minha esquina
a conversa e a borrasca
eu sou filho do sarilho
do gesto desmesurado
nos cordéis do desenrasca.

Nasci
aqui
no mês de Abril
quando esqueci toda a saudade
e comecei a inventar
em cada gesto
a liberdade.

ainda urgente.

Eu sou português
aqui
o português sem mestre
mas com jeito.
Eu sou português
aqui
e trago o mês de Abril
a voar
dentro do peito.

Nasci
aqui
ao pé do mar
duma garganta magoada no cantar.
Eu sou a festa
inacabada
quase ausente
eu sou a briga
a luta antiga
renovada

José Fanha
-



Cântico Negro






Cântico Negro

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

José Régio

domingo

Um Dia......

UM DIA...


( Fernando Pessoa )

Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhamos.

Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das
vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim...
do companheirismo vivido.

Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja
pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.

Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nas cartas
que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto

se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo...
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e
perguntarão:

"Quem são aquelas pessoas?"
Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!
-"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons
anos da minha vida!"

A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...
Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
E, entre lágrima abraçar-nos-emos.

Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes
daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a
sua vida isolada do passado.

E perder-nos-emos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não
deixes que a vida
passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de
grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem
morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!"
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Para todos que me visitam !!!

sexta-feira

Lavrar o mar

Antes que o tempo
se derrame todo por aí
ainda tenho de lavrar o mar
para plantar sonhos novos
na espuma fértil das ondas.

E depois
quando o verde inefável dos seus caules
romper do azul das águas
e a pigmentação dos poentes
amadurecer os frutos de sol
irei colhê-los devagarinho um a um

Com eles hei-de tecer
amanheceres translúcidos e serenos
como medusas no fundo do mar.
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quarta-feira

Quando Me Amei de Verdade

Quando Me Amei de Verdade


´´Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato. E, então, pude relaxar.

Hoje, eu sei que isso se chama

Auto-Estima.

Quando me amei de verdade,
pude perceber que a minha angústia, meu sofrimento emocional, não passam de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades.
Hoje, sei que isso se chama

Autenticidade.

Quando me amei de verdade,
parei de desejar que a minha vida fosse diferente, e, comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje sei que isto se chama

Amadurecimento.

Quando me amei de verdade,
deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero, e, no meu próprio ritmo.
Hoje, sei que isso é

Simplicidade.

Quando me amei de verdade,
desisti de querer ter sempre razão, e com isso, errei muito menos vezes.
Hoje, sei que isso é

Humildade.

Quando me amei de verdade,
desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro.
Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje, vivo um dia de cada vez.
Isso é

Plenitude.

Quando me amei de verdade,
percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar.
Mas, quando eu a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é

Saber Viver.

Não devemos ter medo dos confrontos.
Até os planetas de chocam e do caos nascem as estrelas.´´

Autor Charles Chaplin

terça-feira

Dia Internacional da Poesia, 21 Março

"Poema da malta das naus"

Lancei ao mar um madeiro,
espetei-lhe um pau e um lençol.
Com palpite marinheiro
medi a altura do Sol.

Deu-me o vento de feição,
levou-me ao cabo do mundo.
pelote de vagabundo,
rebotalho de gibão.

Dormi no dorso das vagas,
pasmei na orla das prais
arreneguei, roguei pragas,
mordi peloiros e zagaias.

Chamusquei o pêlo hirsuto,
tive o corpo em chagas vivas,
estalaram-me a gengivas,
apodreci de escorbuto.

Com a mão esquerda benzi-me,
com a direita esganei.
Mil vezes no chão, bati-me,
outras mil me levantei.

Meu riso de dentes podres
ecoou nas sete partidas.
Fundei cidades e vidas,
rompi as arcas e os odres.

Tremi no escuro da selva,
alambique de suores.
Estendi na areia e na relva
mulheres de todas as cores.

Moldei as chaves do mundo
a que outros chamaram seu,
mas quem mergulhou no fundo
do sonho, esse, fui eu.

O meu sabor é diferente.
Provo-me e saibo-me a sal.
Não se nasce impunemente
nas praias de Portugal.


António Gedeão in "Teatro do Mundo", 1958~
-
Poeta, professor e historiador da ciência portuguesa. António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho, concluiu, no Porto, o curso de Ciências Físico-Químicas, exercendo depois a actividade de docente. Teve um papel importante na divulgação de temas científicos, colaborando em revistas da especialidade e organizando obras no campo da história das ciências e das instituições, como A Actividade Pedagógica da Academia das Ciências de Lisboa nos Séculos XVIII e XIX. Publicou ainda outros estudos, como História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa (1959), O Sentido Científico em Bocage (1965) e Relações entre Portugal e a Rússia no Século XVIII (1979).
Revelou-se como poeta apenas em 1956, com a obra Movimento Perpétuo. A esta viriam juntar-se outras obras, como Teatro do Mundo (1958), Máquina de Fogo (1961), Poema para Galileu (1964), Linhas de Força (1967) e ainda Poemas Póstumos (1983) e Novos Poemas Póstumos (1990). Na sua poesia, reunida também em Poesias Completas (1964), as fontes de inspiração são heterogéneas e equilibradas de modo original pelo homem que, com um rigor científico, nos comunica o sofrimento alheio, ou a constatação da solidão humana, muitas vezes com surpreendente ironia. Alguns dos seus textos poéticos foram aproveitados para músicas de intervenção.
Em 1963 publicou a peça de teatro RTX 78/24 (1963) e dez anos depois a sua primeira obra de ficção, A Poltrona e Outras Novelas (1973). Na data do seu nonagésimo aniversário, António Gedeão foi alvo de uma homenagem nacional, tendo sido condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Sant'iago de Espada.

sábado

MUSICA para o fim de semana!!


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EL PASTOR SOLITARIO -zamfir - MUSICA CLASSICA

Dedicado ao meu Pai !!

Roseira, botão de gente...

A força
Que eu tive no momento
Tecendo o teu corpo
A primeira vez
Está agora no teu ventre
Em movimento
No filho que a gente fez

Depois irá pouco a pouco
Ficando maior
Por dentro de ti
E o teu corpo me segreda
Quando o toco
Que o meu filho está ali

Eu fui a semente
Tu és o canteiro
Dum cravo de carne
Que tem o meu cheiro

Eu fui o arado
Tu és a seara
Seara de trigo sem fim
Seara lavrada por mim

O que um homem sente
Quando a companheira
Dá flor no presente
Para a vida inteira
É como como se o sangue fosse uma fogueira

Roseira, botão de gente
Rosa da minha roseira
A vida que tece outra vida
É vida parida
É vida maior
Tens agora a palpitar
A minha vida
No teu ventre, meu amor

Depois
O sangue dos dois
Será vida nova
Será uma flor
Flor de carne a despontar na primavera
Do teu ventre, meu amor
*
José Carlos Ary dos santos

-
Já vai longe o tempo em que te perdi, mas esquecer-te como o Grande Homem que foste é impossível, tudo que me ensinaste, tudo o que sofreste nas tuas lutas contra os Vampiros desta terra, fizeram de mim um Homem. Acredito que vais gostar deste poema que escolhi para ti. Um beijo de amor do filho que não te esquece, e que continua fiel á tua mensagem "Filho eu sou o que sou, tu decidirás, o que queres ser". Obrigado por essa mensagem, que só por si define o Grande Homem que foste, só me resta agradecer-te por teres sido MEU PAI.

Uma pequena Homenagem a Ary

Poeta Castrado, Não!

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
--- é tão vulgar que nos cansa ---
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
--- a morte é branda e letal ---
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
--- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
--- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!

Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

José Carlos Ary dos Santos

quinta-feira

Bocage - (PEC)


Por cá andaste em tempos de crise...
não obstante a corte se banhasse em ouro
e o Marquês encetasse radicais reformas
O teu olhar arguto, condoído e satírico
fazia da pena a arma de um povo,
hostilizado e faminto, bramindo a impotência
E tu poeta, detentor de tamanho talento,
no pleno uso da tua audaz eloquência
denunciavas e muitos incomodavas
com o teu cunho de maledicência.
-

segunda-feira

Dia Internacional da Mulher


Para comemorar este dia escolhi um poema de Florbela Espanca, uma grande figura feminina das primeiras décadas da literatura portuguesa do século XX. Florbela retrata na sua poesia uma imensa ternura e um desejo de felicidade e plenitude que é comum a todas as mulheres.

Os versos que te fiz
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca

A minha Lisboa........



Quando coloquei este video no Youtube nunca me passou pela cabeça obter 285 avaliações e ter 164922 visitas.

sexta-feira

Esculturas em Papel


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Realizado por A.David
Conversão de um ficheiro PowerPoint para Video

Adeus......


Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

POEMA DA DESPEDIDA

POEMA DA DESPEDIDA

Não saberei nunca
dizer adeus

Afinal,
só os mortos sabem morrer

Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser

Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo

Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos

Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca

Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo.

Mia Couto

quinta-feira

Merece ser lido com atenção!!!




A BUFARIA por Marinho Pinto em JN 2010.02.14

O caso Mário Crespo não é um problema de liberdade de informação, mas (mais) um sintoma da degradação a que chegou a comunicação social. Uma conversa privada do primeiro-ministro, num restaurante, sobre um jornalista que há anos o critica publicamente, é prontamente denunciada ao visado que logo tenta criar um escândalo político.
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Sublinhe-se que ambos são figuras públicas com direito a terem, uma da outra, as opiniões que entenderem. Apenas com um senão: nem José Sócrates poderá usar os seus poderes de primeiro-ministro para perseguir o jornalista Mário Crespo, nem este deverá usar os meios de que dispõe como jornalista para perseguir o primeiro-ministro.
-
Porém, os jornalistas, em geral, julgam-se no direito de publicar as opiniões que quiserem (por mais ofensivas que sejam) sobre os governantes (mesmo violando as regras éticas do jornalismo), porque entendem que isso é direito de informar. Mas se os visados emitirem a mais leve opinião sobre esses jornalistas isso é um ataque à liberdade de informação.
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O jornalismo português tem vindo a degradar-se por falta de referências éticas. Hoje, tudo vale para obter informações, incluindo o recurso a "bufos". Nos tempos do Estado Novo usava-se esse termo para designar as pessoas que davam informações à polícia política sem que ninguém desconfiasse delas. Geralmente eram da confiança das vítimas. Faziam delação às escondidas, por dinheiro ou simplesmente para tramar os visados. Agora continua-se a denunciar pessoas a quem as possa tramar. Os "bufos" são os informadores privilegiados dessa nova polícia de costumes em que se transformaram certos órgãos de informação de Lisboa.
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Vejamos alguns exemplos. Há alguns anos, um político e professor universitário (Sousa Franco), por sinal meio surdo, conversava tranquilamente num restaurante. Numa mesa ao lado, uma jornalista (talvez disfarçada de costeleta de borrego) tomava notas da conversa, sem que os visados se apercebessem. Dias depois o teor da conversa era manchete num semanário de Lisboa. Também há alguns anos, um professor do ensino secundário (Fernando Charrua), conversando com um colega no gabinete deste, emitiu sobre o primeiro-ministro uma daquelas opiniões que só se expressam em conversas privadas. Pois, logo o colega o foi denunciar aos superiores hierárquicos. O mesmo aconteceu com um juiz conselheiro que, numa conversa a dois com um colega, emitira o mesmo tipo de opinião sobre o Conselho Superior da Magistratura. Logo o colega o foi denunciar ao CSM. Mais recentemente, um magistrado do Ministério Público que, durante um almoço com dois colegas, opinara sobre um processo de que estes eram titulares foi de imediato denunciado por os ter "pressionado".
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Hoje não se pode estar à vontade num restaurante, porque ao lado pode estar um "bufo" a ouvir a conversa para a ir relatar ao seu tablóide preferido. Até a factura da refeição pode ser útil para o mesmo fim. A privacidade deixou de ter qualquer respeito ou protecção. Os meus rendimentos, constantes da minha declaração de IRS, foram obtidos ilicitamente nas finanças e andaram a ser oferecidos a alguns jornalistas de Lisboa até que um deles os publicou. Tudo para tentar desqualificar-me como advogado, mostrando que, supostamente, eu ganhava mais como jornalista.
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A sordidez desse tipo de jornalismo traz-me à memória um episódio ocorrido há cerca de 20 anos em que se chegou ao ponto de tentar fazer uma notícia sobre uma consulta de ginecologia de uma dirigente política, que na altura desempenhava funções governamentais. Tudo isso é possível porque o jornalismo está em roda livre, sem qualquer regulação e a própria justiça, em vez de corrigir esses desvarios, coonesta-os e acaba por também recorrer a eles.
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Por mim tomei vários cuidados. Evito conversas em restaurantes, já não falo ao telefone e mesmo no meu escritório já tomei as devidas precauções. Perdi toda a confiança nas comunicações em Portugal porque a deriva fundamentalista e justiceira de muitos dos nossos magistrados mostra que qualquer pessoa pode estar sob escuta, incluindo as mais altas figuras do Estado. Por isso, não falar ao telefone é hoje um gesto tão prudente como o era no tempo da ditadura. E mesmo como advogado, já retirei do meu escritório quaisquer elementos que possam ser usados contra alguns dos meus clientes, pois é normal em Portugal fazerem-se buscas a escritórios de advogados, com mandados em branco, ou seja, com ordem para apreender tudo o que possa ajudar a incriminar os seus constituintes.
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O Meu Comentário - Os partidos da Direita, abrigam ainda muitos saudosistas dos métodos fascistas que, são aproveitados hipocritamente pelo BE de braço dado com o PCP, para montar o circo de tentativa de descrédito do Governo, formado pelo partido que ganhou democraticamente as eleições Legislativas. A antiga PIDE não faria melhor que esta nova PIDE constituída por jornaleiros, alguns pseudomagistrados, pseudojuizes, apoiados por deputados frustrados, que por incompetência ou incapacidade não conseguem acompanhar o sucesso dos outros. Eles podem dizer o que querem, quando querem e onde querem, o PM não pode ter opinião sobre quem o critica, insulta, enxovalha e difama, logo está a conspirar. Haja paciência!
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Da minha responsabilidade:

E Dizem k andaste a angariar rapazinhos para a Renamo. Telhados de vidro ?
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quarta-feira

AH, POIS É !!! É O PAÍS QUE TEMOS !!!

Isto não pode ser permitido!!!!

Quando o magistrado Rui Teixeira é vetado para uma promoção a que tem direito pela nota meritória da sua avaliação, certamente por ter cometido o erro??!! De mandar prender suspeitos de pedofilia, pasmem meus senhores , pois neste mesmo país, o NOSSO, o acisado pedófilo Hugo Marçal vai poder frequentar um estágio para Juiz...

Custa acreditar. Mas, o melhor, para quem tem dúvida, é consultar o Diário da República. Isto é uma vergonha.

Meu pobre país, para onde vais!!!...

Escandaloso: HUGO MARÇAL ... JUÍZ ...!!! Digam-me que isto é mentira!!!!!
Hugo Marçal.... JUÍZ!!!!
Este processo das crianças violadas vai mesmo ficar em "águas de bacalhau". É incrível a passividade do povo português face a este escândalo da pedofilia. Tem que se fazer justiça!

"Hugo Marçal está em vias de ser admitido a frequentar o curso de auditor de justiça do Centro de Estudos Judiciários.
O nome do arguido no processo de pedofilia da Casa Pia vem publicado no Diário da República de ontem, entre centenas de candidatos a frequentar a escola que forma os juízes portugueses, mas ao contrário dos outros, Hugo Marçal não vai prestar provas....
Pelo facto de ser doutor em Direito - grau académico que terá obtido em Espanha - está por lei «isento da fase escrita e oral» e tem ainda «preferência sobre os restantes candidatos».
Resultado: O advogado de Elvas está na prática à beira de ser seleccionado para o curso que formará a próxima geração de magistrados!

O nome de Hugo Manuel S. Marçal surge na página 4961 do Diário da República - 2.ª série, com o número 802, na lista de candidatos a ingressar no CEJ .

Se concluir o curso com aproveitamento e iniciar uma carreira nos tribunais - primeiro como auditor de justiça, depois.... Como juiz de direito - Marçal terá também o privilégio de não ser julgado num tribunal de primeira instância.»
AH, POIS É !!!

É O PAÍS QUE TEMOS !!!
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segunda-feira

Poema


Para Ti

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
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Madeira - Rocha Alta

A triste realidade da Serra de Água

quinta-feira

Trovas antigas

Trovas antigas

O que mais me prende à vida
Não é amor de ninguém.
É que a morte de esquecida
Deixa o mal e leva o bem.

Olha a triste viuvinha
que anda na roca a fiar
É bem feito, é bem feito
que não tem com quem casar

Quem se vai casar ao longe
Ao perto tendo com quem
Alva flor da laranjeira
Não a dará a ninguém

No cimo daquela serra
Está um lenço de mil cores
Está dizendo Viva, Viva
Morra quem não tem amores

José Afonso

Estarás sempre vivo .............


A homenagem ao Zeca e aos que partiram nos trágicos acontecimentos da Madeira.

Não brinquem com a Natureza


Quanto bom seria que os Homens aprendessem com os seus erros, com as forças da Natureza não se brinca, sempre ouvi dizer desde que me conheço. É cedo para fazer criticas, toda a ajuda possível neste momento é prioritária. A minha solidariedade ao Povo da Madeira.

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sexta-feira

Enquanto a vergonha continua .........



Saturado com os nossos politicos, com vergonha de ter nascido Português, culpado por muitos dos artigos que coloquei neste simples blog, é altura para dizer basta.

O que se passa na comissão de inquérito da Assembleia, é pura e simplesmente uma vergonha, terminem se tiverem coragem para isso com uma Moção de Censura.

A cobardia e a falta de bom senso desta oposição que não escolhe meios para atingir os seus fins, não merece que eu me pronuncie sobre a mesma. A vida do país é demasiado importante para que neste momento esteja nas mãos de jornalistas, e esta Felicia Cabrita que está sempre armada em espada da lei. (Sempre Duvidei dos que têm a mania que são mais do que os outros em matéria de moralidade). Nunca poderia afirmar que a Comissão de Inquérito eram provávelmente uma cambada de racistas, o que mais poderia, se tivesse coragem para isso era chama-los de incompetentes.

Sou Socialista e assim me afirmo. A prioridade não é correr com Socrates, é encontrar Politicos decentes que não olhem para os bicos dos pés e façam alguma coisa de credível por este País.

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quinta-feira

Vale a pena ler!

Vale a pena ler!...

A escritora, letrista e actriz Rosa Lobato Faria, morreu, dia 2 de Fevereiro de 2010, aos 77 anos, depois de uma semana de internamento num hospital privado. Foi colaboradora (dizendo poesias) de David Mourão-Ferreira em programas literários da televisão. Autora, entre outros, dos romances Flor do Sal, A Trança de Inês, Romance de Cordélia, O Prenúncio das Águas, ou mais recentemente A Estrela de Gonçalo Enes (ed. Quasi). Publicamos aqui a 'autobiografia' que escreveu para o JL há dois anos.

Autobiografia.

Quando eu era pequena havia um mistério chamado Infância. Nunca tínhamos ouvido falar de coisas aberrantes como educação sexual, política e pedofilia. Vivíamos num mundo mágico de princesas imaginárias, príncipes encantados e animais que falavam. A pior pessoa que conhecíamos era a Bruxa da Branca de Neve. Fazíamos hospitais para as formigas onde as camas eram folhinhas de oliveira e não comíamos à mesa com os adultos. Isto poupava-nos a conversas enfadonhas e incompreensíveis, a milhas do nosso mundo tão outro, e deixava-nos livres para projectos essenciais, como ir ver oscilar os agriões nos regatos e fazer colares e brincos de cerejas. Baptizávamos as árvores, passeávamos de burro, fabricávamos grinaldas de flores do campo.
Fazíamos quadras ao desafio, inventávamos palavras e entoávamos melodias nunca aprendidas.

Na Infância as escolas ainda não tinham fechado. Ensinavam-nos coisas inúteis como as regras da sintaxe e da ortografia, coisas traumáticas como sujeitos, predicados e complementos directos, coisas imbecis como verbos e tabuadas. Tinham a infeliz ideia de nos ensinar a pensar e a surpreendente mania de acreditar que isso era bom.
Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores.

E depois ainda havia infância para perceber o aroma do suco das maçãs trincadas com dentes novos, um rasto de hortelã nos aventais, a angustia de esperar o nascer do sol sem ter a certeza de que viria (não fosse a ousadia dos pássaros só visíveis na luz indecisa da aurora), a beleza das cantigas límpidas das camponesas, o fulgor das papoilas. E havia a praia, o mar, as bolas de Berlim. (As bolas de Berlim são uma espécie de ex-libris da Infância e nunca mais na vida houve fosse o que fosse que nos soubesse tão bem).

Aos quatro anos aprendi a ler; aos seis fazia versos, aos nove ensinaram-me inglês e pude alargar o âmbito das minhas leituras infantis. Aos treze fui, interna, para o Colégio. Ali havia muitas raparigas que cheiravam a pão, escreviam cartas às escondidas, e sonhavam com os filmes que viam nas férias. Tínhamos a certeza de que o Tyrone Power havia de vir buscar-nos, com os seus olhos morenos, depois de nos ter visto fazer uma entrada espampanante no salão de baile onde o Fred Astaire já nos teria escolhido para seu par ideal.

Chamava-se a isto Adolescência, as formas cresciam-nos como as necessidades do espírito, música, leitura, poesia, para mim sobretudo literatura, história universal, história de arte, descobrimentos e o Camões a contar aquilo tudo, e as professoras a dizerem, aplica-te, menina, que vais ser escritora.

Eram aulas gloriosas, em que a espuma do mar entrava pela janela, a música da poesia medieval ressoava nas paredes cheias de sol, ay eu coitada, como vivo em gran cuidado, e ay flores, se sabedes novas, vai-las lavar alva, e o rio corria entre as carteiras e nele molhávamos os pés e as almas.

Além de tudo isto, que sorte, ainda havia tremas e acentos graves.
Mas também tínhamos a célebre aula de Economia Doméstica de onde saíamos com a sensação de que a mulher era uma merdinha frágil, sem vontade própria, sempre a obedecer ao marido, fraca de espírito que não de corpo, pois, tendo passado o dia inteiro a esfregar o chão com palha de aço, a espalhar cera, a puxar-lhe o lustro, mal ouvia a chave na porta havia de apresentar-se ao macho milagrosamente fresca, vestida de Doris Day, a mesa posta, o jantarinho rescendente, e nem uma unha partida, nem um cabelo desalinhado, lá-lá-lá, chegaste, meu amor, que felicidade! (A professora era uma solteirona, mais sonhadora do que nós, que sabia todas as receitas do mundo para tirar todas as nódoas do mundo e os melhores truques para arear os tachos de cobre
que ninguém tinha na vida real).

Mas o que sabíamos nós da vida real? Aos 17 anos entrei para a Faculdade sem fazer a mínima ideia do que isso fosse. Aos 19 casei-me, ainda completamente em branco (e não me refiro só à cor do vestido). Só seis anos, três filhos e centenas de livros mais tarde é que resolvi arrumar os meus valores como quem arruma um guarda-vestidos.
Isto não, isto não se usa, isto não gosto, isto sim, isto seguramente, isto talvez. Os preconceitos foram os primeiros a desandar, assim como todos os itens que à pergunta porquê só me tinham respondido porque sim, ou, pior, porque sempre foi assim. E eu, tumba, lixo, se sempre foi assim é altura de deixar de ser e começar a abrir caminho às gerações futuras (ainda não sabia que entre os meus 12 netos se contariam nove mulheres). Ouvi ontem uma jovem a dizer, a revolução que nós fizemos nos últimos anos. Não meu amor: a revolução que NÓS fizemos nos últimos 50 anos. Mas não interessa quem fez o quê.. É preciso é que tenha sido feito. E que seja feito. E eu fiz tudo, quando ainda não era suposto. Quando descobri que ser livre era acreditar em mim própria, nos meus poucos, mas bons, valores pessoais.

Depois foram as circunstâncias da vida. A alegria de mais um filho, erros, acertos, disparates, generosidades, ingenuidades, tudo muito bom para aprender alguma coisa. Tudo muito bom. Aprender é a palavra chave e dou por mal empregue o dia em que não aprendo nada. Ainda espero ter tempo de aprender muita coisa, agora que decidi que a Bíblia é uma metáfora da vida humana e posso glosar essa descoberta até, praticamente, ao infinito.

Pois é. Eu achava, pobre de mim, que era poetisa. Ainda não sabia que estava só a tirar apontamentos para o que havia de fazer mais tarde.. A ganhar intimidade, cumplicidade com as palavras. Também escrevia crónicas e contos e recados à mulher-a-dias. E de repente, aos 63 anos, renasci. Cresceu-me uma alma de romancista e vá de escrever dez romances em 12 anos, mais um livro de contos (Os Linhos da Avó) e sete ou oito livros infantis. (Esta não é a minha área, mas não sei porquê, pedem-me livros infantis. Ainda não escrevi nenhum que me procurasse como acontece com os romances para adultos, que vêm de noite ou quando vou no comboio e se me insinuam nos interstícios do cérebro, e me atiram para outra dimensão e me fazem sorrir por dentro o tempo todo e me tornam mais disponível, mais alegre, mais nova).

Isto da idade também tem a sua graça. Por fora, realmente, nota-se muito. Mas eu pouco olho para o espelho e esqueço-me dessa história da imagem. Quando estou em processo criativo sinto-me bonita. É como se tivesse luzinhas na cabeça. Há 45 anos, com aquela soberba muito feminina, costumava dizer que o meu espelho eram os olhos dos homens.
Agora são os olhos dos meus leitores, sem distinção de sexo, raça, idade ou religião. É um progresso enorme.

Se isto fosse uma autobiografia teria que dizer que, perto dos 30, comecei a dizer poesia na televisão e pelos 40 e tais pus-me a fazer umas maluqueiras em novelas, séries, etc. Também escrevi algumas destas coisas e daqui senti-me tentada a escrever para o palco, que é uma das coisas mais consoladoras que existem (outra pessoa diria gratificantes, mas eu, não sei porquê, embirro com essa palavra). Não há nada mais bonito do que ver as nossas palavras ganharem vida, e sangue, e alma, pela voz e pelo corpo e pela inteligência dos actores. Adoro actores. Mas não me atrevo a fazer teatro porque não aprendi.

Que mais? Ah, as cantigas. Já escrevi mais de mil e 500 e é uma das coisas mais divertidas que me aconteceu. Ouvir a música e perceber o que é que lá vem escrito, porque a melodia, como o vento, tem uma alma e é preciso descobrir o que ela esconde. Depois é uma lotaria. Ou me cantam maravilhosamente bem ou tristemente mal. Mas há que arriscar e, no fundo, é só uma cantiga. Irrelevante.

Se isto fosse uma autobiografia teria muitas outras coisas para contar. Mas não conto. Primeiro, porque não quero. Segundo, porque só me dão este espaço que, para 75 anos de vida, convenhamos, não é excessivo.
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Encontramo-nos no meu próximo romance.
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Oração das Mulheres Resolvidas

De Júlio Machado Vaz

Oração das Mulheres Resolvidas

Que o mar vire cerveja e os homens aperitivo,
que a fonte nunca seque,
e que a nossa sogra nunca se chame Esperança,
porque Esperança é a última que morre...
Que os nossos homens nunca morram viúvos,
e que os nossos filhos tenham pais ricos e mães gostosas!
Que Deus abençoe os homens bonitos,
e os feios se tiver tempo...

Deus...
Eu vos peço sabedoria para entender um homem,
amor para perdoá-lo e paciência pelos seus actos,
porque Deus,
se eu pedir força,
eu bato-lhe até matá-lo.

Um brinde...
Aos que temos,
aos que tivemos e aos que teremos.

Um brinde também aos namorados que nos conquistaram,
aos trouxas que nos perderam,
e aos sortudos que ainda vão conhecer-nos!

Que sempre sobre,
que nunca nos falte,
e que a gente dê conta de todos!
Amén.

P.S.: Os homens são como um bom vinho: todos começam como uvas e é
dever da mulher pisá-los e mantê-los no escuro até que amadureçam e se
tornem uma boa companhia para o jantar.
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quarta-feira

Ler todos os dias


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios,incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

(Fernando Pessoa)
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domingo

AMAR!


AMAR!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

Florbela Espanca



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sábado

Um Poema

Um poema...
(...)
Com tudo o que fiz na vida, fiz o meu poema.
Aprendi-o nas horas do silêncio da noite. Aprendi-o na escola da vida. Aprendi-o no sitio onde nasci, no meu bairro.
Na rua. Talvez em tudo o que li.
Mas foi junto dos que lutam que aprendi
como as palavras podem ser terríveis e ao mesmo tempo sagradas.

Aqui fica o meu poema. A todos que continuam a luta.
Aqui fica.
Não sei se alguma coisa disto têm nexo ou rima
Mas no meu interior rima com as estrelas da minha antiga cela
Se por mero acaso o meu poema não rimar
Rima com a minha existência, com a minha vida.
Por isso aqui vos deixo, tal como sei
as coisas que aprendi na vida.
-
A.David

Sózinho

quinta-feira

Pombo com ternura e fome

Apetecia neste dia,
um passeio até ao Tejo
e pelo Terreiro do Paço
andei a pé.
Parei no terminal,
observando aquela sala gigante.
Parando junto de mim
um pombo habitante daquela sala,
que debicava, debicava
e nada encontrava!
Chamei por gestos;
junto de mim parou.
Por largo tempo
não me deixou!
E olhando aquele pombo habitante
de penas azuladas
e iris avermelhadas,
cheio de fome e ternura,
deixando as minhas mãos dar-lhe mimos,
sem voar revoltado;
apenas um pombo esfomeado.
Fiquei agradecido
por este novo amigo.
Lembrei-me das crianças
que nas mesmas condições,
ainda têm forças
para nos lançar
olhares de ternura
aguardando que nossos corações,
se lembrem que elas existem.
No meu regresso
e tendo como despedida
olhares de ternura,
ainda me disse:
“Quando voltares a esta sala gigante,
cá estarei e ficarei junto a ti,
para descansares
e veres que ainda existo;
como pombo e amigo”.

Pombo com ternura e fome
Por José Manuel Brazão, Ligado 2007-10-25 17:29
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Para Ti

Para Ti

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
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Ser Poeta

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

segunda-feira

Solidão

Solidão

Aproximo-me da noite
o silêncio abre os seus panos escuros
e as coisas escorrem
por óleo frio e espesso

Esta deveria ser a hora
em que me recolheria
como um poente
no bater do teu peito
mas a solidão
entra pelos meus vidros
e nas suas enlutadas mãos
solto o meu delírio

É então que surges
com teus passos de menina
os teus sonhos arrumados
como duas tranças nas tuas costas
guiando-me por corredores infinitos
e regressando aos espelhos
onde a vida te encarou

Mas os ruídos da noite
trazem a sua esponja silenciosa
e sem luz e sem tinta
o meu sonho resigna

Longe
os homens afundam-se
com o caju que fermenta
e a onda da madrugada
demora-se de encontro
às rochas do tempo

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

Lágrimas ocultas

"Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!"

Adélia Prado