domingo

Provérbio

Quando falas, procura que as tuas palavras sejam melhor que o silêncio.

quarta-feira

BASTA .........

Basta
Simultaneamente com a Comissão Parlamentar sobre o BPN decorreu em Washington o inquérito do Congresso às irregularidades de gestão das grandes empresas financeiras americanas que tinham levado à crise. Logo aqui, a premissa de partida para as investigações americanas demarcou-se diametralmente da da Assembleia da República.Em Portugal, assumiu-se que os problemas no BPN decorreram da crise. A actuação desregulada e criminosa dos gestores pode estar a custar aos contribuintes dois mil milhões de euros subtraídos a hospitais, lares e escolas, mas, pelo relatório do BPN, não contribuiu para as dificuldades financeiras do país, que seriam só culpa da crise internacional.Numa das mais emblemáticas sessões da Comissão americana (18 Março, 2009) foi chamado a Washington Edward Liddy, o presidente do maior grupo segurador do Mundo, o American International Group. Em plena crise, a AIG tinha distribuído prémios aos seus quadros. Stephen Lynch, congressista de Massachusetts, perguntou iradamente a Liddy se não "tinha vergonha na cara". Liddy respondeu que o estavam a ofender ao questioná-lo nesses termos. O parlamentar respondeu-lhe que a intenção era mesmo ofendê-lo, porque ele era o responsável por uma imensa ofensa ao património do povo americano.Chegou a altura de nos inspirarmos na vitalidade da prática secular de democracia na América e dizer que os relatores do inquérito ao BPN não tiveram vergonha na cara. E dizer mais: que a maneira brutal como as conclusões do relatório foram impostas, pela lei esmagadora dos números ainda que rejeitadas por toda a Oposição, constitui um claro alerta para os riscos que corre a democracia em Portugal. É um sinal gritante ao eleitorado para não repetir o erro cometido há quatro anos e passar, finalmente, a utilizar o voto como arma rectificadora de um sistema político imaturo e venal, como tem mostrado ser o português. É um aviso para os riscos desta maioria e um aviso para os riscos de maiorias destas. A Comissão Parlamentar sobre o BPN ouviu durante meses relatos de anos consecutivos de uma actuação predadora dos bens de depositantes que confiaram num sistema bancário regulado e garantido pelo Estado.Durante o inquérito, leram e ouviram descrições de como os politicamente poderosos obtiveram lucros espantosos em situações questionáveis. Dos juros de cento e muitos por cento que o professor Cavaco Silva e família receberam às empresas falidas compradas por Dias Loureiro por milhões que desapareciam das contas em vendas fantasma. A fiscalização deste mercado de loucos estava (está) entregue a um alto quadro socialista. O Partido Socialista concluiu agora, quatro meses e dois mil milhões de euros depois, que ao longo dos anos de saque o Banco de Portugal do antigo secretario-geral socialista tinha exercido a sua fiscalização de forma "estreita e contínua" (pags. 214 e 215 do Relatório Parlamentar ao BPN). Por absurdas que sejam estas conclusões, elas foram lavradas em documento da Assembleia da República, que é o que fica para a história como o relato dos representantes eleitos pelos portugueses da maior roubalheira de sempre na finança nacional. O relatório está feito. Por imoral que seja, vamos ter de viver com ele. Compete ao eleitorado garantir que para a próxima legislatura não haja condições para se repetir uma afronta destas.

Adeus ......


Adeus

Como se houvesse uma tempestade
escurecendo os teus cabelos,
ou, se preferes, minha boca nos teus olhos
carregada de flor e dos teus dedos;
como se houvesse uma criança cega
aos tropeções dentro de ti,
eu falei em neve - e tu calavas
a voz onde contigo me perdi.
Como se a noite se viesse e te levasse,
eu era só fome o que sentia;
Digo-te adeus, como se não voltasse
ao país onde teu corpo principia.
Como se houvesse nuvens sobre nuvens
e sobre as nuvens mar perfeito,
ou, se preferes, a tua boca clara
singrando largamente no meu peito.

terça-feira

Homenagem a Palma Inácio



Isabel Oneto
Ordem da Liberdade para o último Herói Romântico de Portugal.
-
Foi na Estufa Fria, em Lisboa, que centenas de pessoas se reuniram para expressar a Palma Inácio a sua gratidão pela coragem com que enfrentou a Ditadura de Salazar. Nesse dia, 13 de Maio, o Presidente da República, pela mão de Manuel Alegre, atribuiu-lhe a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.
A vida de Hermínio da Palma Inácio, o "Velho" para os que o tratavam pelo seu nome de guerra, merecia certamente um filme, como sugeriu um seu companheiro de luta, Amândio Silva, na homenagem ao "último Herói Romântico de Portugal", numa iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Lisboa e do Museu República e Resistência.
"Figura lendária da luta pela liberdade", nas palavras de Manuel Alegre, Palma Inácio desafiou a PIDE durante três décadas, levando-a mesmo a cair nas suas próprias armadilhas, para desespero dos inspectores da ex-polícia política.
Hoje com 78 anos, militante socialista e deputado à Assembleia Municipal de Lisboa, Palma Inácio iniciou a luta antifascista com a sua adesão ao "Golpe dos Militares", em 10 de Abril de 1947, um movimento desencadeado pelo general Godinho e pelo almirante Cabeçadas e que contou com a participação de alguns civis, entre os quais João Soares, pai de Mário Soares.
Ao jovem revolucionário, então com 25 anos, coube a tarefa de sabotar os aviões da base aérea da Granja, Sintra, onde havia prestado serviço militar e cruzado os céus de Portugal, - ironia do destinos – muitas vezes na companhia do oficial da Força Aérea Humberto Delgado.
Esta acção acabou por lhe valer sete meses de clandestinidade, numa quinta em Odivelas, seguindo-se a sua detenção pela PIDE, conhecendo assim, pela primeira vez, as celas do Aljube. À espera do julgamento, Palma Inácio foi preparando a fuga. Na manhã de 16 de Maio de 1948, com quatro lençóis enrolados nas pernas, debaixo das calças, juntou-se aos outros reclusos, na fila para a casa de banho. Um breve momento de ausência do guarda permitiu-lhe lançar-se pela janela, numa altura de cerca de 15 metros do chão, caindo junto à sentinela da prisão, no exterior do edifício, que não teve tempo de reagir. Palma Inácio pôs-se em fuga, desaparecendo no meio da multidão. Com a PIDE de novo à sua procura, seguiu para Marrocos, de onde, após várias peripécias pelos mares, consegue chegar aos Estados Unidos .O "brevet" de piloto garantiu-lhe a sobrevivência, mas as autoridades acabam por o localizar, obrigando-o a abandonar o país. O destino foi o Rio de Janeiro, juntando-se assim a outros antifascistas que do exterior procuravam meios para acabar com o regime de Salazar em Portugal. Estava-se em 1956 e Palma Inácio contava 34 anos. Dois anos depois, a luta antifascista agitou-se com a candidatura do General Sem Medo às eleições presidenciais e o exílio deste no Brasil, a que pouco depois se junta também o capitão Henrique Galvão.
Palma Inácio, acompanhado de Camilo Mortágua, Amândio Silva, Maria Helena Vidal, João Martins e Francisco Vasconcelos, preparou então uma operação que haveria de acordar Lisboa de espanto - na manhã de 10 de Novembro, um avião da TAP, que partira de Casablanca, é desviado para sobrevoar Lisboa, onde são lançados cerca de 100 mil panfletos antifascistas. Os caças da Força Aérea não conseguem interceptar o avião, que regressa a Casablanca, para desespero do Regime.
De regresso ao Brasil, o grupo confrontou-se com a necessidade de procurar financiamento para as suas operações. Começou assim a preparação do mais espectacular golpe contra a Ditadura, o assalto à dependência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, concretizada em Maio de 1967 com Camilo Mortágua, António Barracosa, e Luís Benvindo. Foi a operação que mais feriu o regime de Salazar, não apenas pela operação em si, mas porque todos os pedidos de extradição solicitados pelas autoridades portuguesas às suas congéneres estrangeiras foram recusados, uma vez que os respectivos órgãos judiciais compreenderam que se tratara de uma operação de carácter político - uma realidade com que ainda hoje alguns (poucos) portugueses não se conformam.
Nesta altura, o movimento antifascista estava localizado em Paris, onde acaba por nascer a LUAR - Liga de Unidade e Acção Revolucionária, que reivindicou o assalto para como operação manifestamente política.
Na capital francesa, Palma Inácio planeou outro golpe, talvez mais arrojado que o anterior, mas que acabaria por fracassar: tomar a cidade da Covilhã. Deste vez, é detido pela PIDE, que acabará por sofrer uma das suas maiores humilhações. Palma Inácio concebeu a célebre fuga da prisão do Porto, serrando as grades da cela com lâminas que a sua irmã lhe fizera chegar, com a ajuda do informador da PIDE, de alcunha o "Canário", e o conhecimento dos inspectores Barbieri Cardoso e Sachetti, que se havia introduzido na LUAR.Ambos os inspectores sabiam da existência das lâminas mas nunca as conseguiram localizar, apesar das inúmeras revistas à cela.
Em Novembro de 1973, é de novo detido pela PIDE, depois de Ter entrado clandestinamente em Portugal para mais uma operação. Toda a raiva da polícia política contra Palma Inácio desabou sobre ele na primeira noite, em que foi barbaramente espancado.
Cinco meses depois, na sua cela, recebeu, em código morse feito pela buzina de um carro, nas imediações de Caxias, a primeira notícia de que um golpe militar está em curso. A Revolução estava na rua. No dia seguinte, a 26 de Abril, chegou a ordem de libertação dos presos políticos. Contudo, Palma Inácio foi o último a sair, pois alguns militares, que recusavam ver o assalto à Figueira da Foz como uma operação política, resistiram à sua libertação.
Quem conheceu este antifascista, de cachimbo sempre no canto da boca e casaco de xadrez, saberá o quanto estas linhas são poucas para espelhar a sua vida, em que à coragem juntou a lealdade e o seu humanismo, que lhe valem o título de "o último herói romântico de Portugal".

PS: Quando encontrares o José David no teu novo espaço de descanso, diz-lhe que o filho ainda se lembra da buzina, que certeira como um relógio suiço, dava as boas e as más notícias.

domingo

Urgentemente

"Urgentemente"

É urgente o Amor,

É urgente um barco no mar.

-

É urgente destruir certas palavras

ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos,

muitas espadas.

-

É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos,as searas,

é urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras.

-

Cai o silêncio nos ombros,

e a luz impura até doer.

É urgente o amor,

É urgente permanecer.

-

Eugénio de Andrade"

Sem Eira nem Beira

Sem Eira nem Beira

terça-feira

Ai estão eles ......

ENVELHECER

E N V E L H E C E R
de Albert Camus"

Envelhecer é o único meio de viver muito tempo.
A idade madura é aquela
na qual ainda se é jovem,
porém com muito mais esforço.
O que mais me atormenta
em relação às tolices de minha juventude,
não é havê-las cometido...
é sim não poder voltar a cometê-las.
-
Envelhecer é passar da paixão
para a compaixão.
Muitas pessoas não chegam aos oitenta
porque perdem muito tempo
tentando ficar nos quarenta.
Aos vinte anos reina o desejo,
aos trinta reina a razão,
aos quarenta o juízo.
-
O que não é belo aos vinte,
forte aos trinta,
rico aos quarenta,
nem sábio aos cinqüenta,
nunca será nem belo,
nem forte,
nem rico,
nem sábio...
-
Quando se passa dos sessenta,
são poucas as coisas que nos parecem absurdas.
Os jovens pensam que os velhos são bobos;
os velhos sabem que os jovens o são.
-
A maturidade do homem
é voltar a encontrar a serenidade
como aquela que se usufruía
quando se era menino.
-
Nada passa mais depressa que os anos.
Quando era jovem dizia:
“verás quando tiver cinqüenta anos”.
Tenho cinqüenta anos
e não estou vendo nada.
-
Nos olhos dos jovens arde a chama,
nos olhos dos velhos brilha a luz.
A iniciativa da juventude
vale tanto quanto a experiência dos velhos.
-
Sempre há um menino em todos os homens.
A cada idade lhe cai bem uma conduta diferente.
Os jovens andam em grupo,
os adultos em pares
e os velhos andam sós.
-
Feliz é quem foi jovem em sua juventude
e feliz é quem foi sábio em sua velhice.
Todos desejamos chegar à velhice
e todos negamos que tenhamos chegado.
-
Não entendo isso dos anos:
que, todavia, é bom vivê-los, mas
não tê-los."

Como envelhecer sem ficar velho

FIM DA SÉRIE


FICO FELIZ POR TER PODIDO PARTILHAR
ESTES MINUTOS DE HUMOR COM TODOS
OS AMIGOS QUE ME VISITARAM.

sábado

Querem dar uma volta ?

Meus caros amigos estão convidados a dar uma voltinha

Homenagem a Michael Jackson


“Ele foi um menino que Deus abençoou com uma voz angelical"
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Lenny Kravitz homenageou Michael Jackson ao afirmar que "se não fosse ele, não seria músico".
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Numa mensagem no Twitter e distribuída pela sua assessoria, Kravitz disse que, antes de morrer, Michael já tinha dado ao público "tudo o que tinha de dar" e que “nunca haverá outro talento como Michael Jackson". “Ele foi um menino que Deus abençoou com uma voz angelical".
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"Escutem um dos primeiros álbuns do Jackson Five e ouçam essa voz. A pureza, o sentimento, a interpretação das letras", disse o músico nova-iorquino, que comparou Michael a James Brown e Aretha Franklin.
-
Kravitz, que está no Reino Unido em digressão, contou que a primeira apresentação ao vivo que assistiu foi de Michael Jackson, quando tinha apenas 8 anos. "Se não fosse ele, não estaria a fazer o que faço. Ele era música. Ponto", concluiu.

quarta-feira

S.João de Braga

Cidade vive a noite sanjoanina com muitos cânticos e danças da alma popular. Uma das mais genuínas exteriorizações da alma minhota sai hoje à rua. As festas de S. João estão aí, por muitos lugares...

Quadras de S.João


Ó Anjo da minha guarda
Quem vos varreu o terreiro?
As cachopas de Alpedrinha
C'um raminho de loureiro.
-
S. João adormeceu
Debaixo da laranjeira,
Cobriu-se todo de flores,
S. João que bem que cheira.
-
Na noite de S.João
Vou fazer uma fogueira
Com folhas de verde louro
Com rosmaninho que cheira.
-
Hei-de deixar ao relento
Uma folha de figueira
Se S. João a orvalhar
Hei-de encontrar quem me queira.

-
in Velhas Canções e Romances Populares Portuguesesde Pedro Fernandes Thomás, Coimbra: F. França Amado Editor, 1913

segunda-feira

Vamos mudar Portugal (01)


Com esta simples fotos vou iniciar a publicação de uma nova serie que procura mudar Portugal

Será que não teremos alternativa........


Maria Bethânia, canta Fernando Pessoa

We are the world - Faz 23 anos

É sempre bom ouvir esta música, só que nos esquecemos de todos aqueles que precisam

de ajuda, se cada um de nós se lembrasse de ajudar um necessitado, eramos de certeza

um Pais melhor, pensa NISSO.