segunda-feira

Homenagem!!!


Silenciam as palavras
Que não dizem
Gritam um grito
De silêncio mudo
Sofrem calados,
A dor que não choram
Soltam lágrimas
Que falam de dor
Contidas em gritos silenciados,
Doridos…
Remetidos ao túmulo perante a indiferença
De um LOUCO, com cheiro a morte...
Da morte…
Pobres inocentes…!
Que sofreram e sofrem em silêncio

sexta-feira

Demissão!

Demissão

Venho por meio desta, apresentar oficialmente meu pedido de demissão da categoria dos adultos. Resolvi que quero voltar a ter as responsabilidades e as idéias de uma criança de oito anos no máximo.

Quero acreditar que o mundo é justo e que todas as pessoas são honestas e boas. Quero acreditar que tudo é possível. Quero que as complexidades da vida passem desapercebidas por mim e quero ficar encantado com as pequenas maravilhas deste mundo. Quero de volta uma vida simples e sem complicações.

Cansei dos dias cheios de computadores que falham, montanha de papeladas, notícias deprimentes, contas a pagar, fofocas, doenças e necessidade de atribuir um valor monetário a tudo o que existe. Não quero mais ter que inventar jeitos para fazer o dinheiro chegar até o dia do próximo pagamento. Não quero mais ser obrigado a dizer adeus a pessoas queridas e, com elas, a uma parte da minha vida.

Quero ter a certeza de que Deus está no céu, e de que por isso, tudo está direitinho nesse mundo. Quero viajar ao redor do mundo no barquinho de papel que vou navegar numa poça deixada pela chuva. Quero jogar pedrinhas na água e ter tempo para olhar as ondas que elas formam. Quero achar que as moedas de chocolate são melhores do que as de verdade, porque podemos comê-las e ficar com a cara toda lambuzada.

Quero ficar feliz quando amadurecer o primeiro caju, a primeira manga ou quando a jabuticabeira ficar pretinha de frutas. Quero poder passar as tardes de verão à sombra de uma árvore, construindo castelos no ar e dividindo-os com meus amigos.

Quero voltar a achar que chicletes e picolés são as melhores coisas da vida. Quero que as maiores competições em que eu tenha de entrar sejam um jogo de bola de gude ou uma pelada. Quero voltar ao tempo em que tudo o que eu sabia era o nome das cores, a tabuada, as cantigas de roda, a "Batatinha quando nasce..." e a "Ave Maria" e que isso não me incomodava nadinha, porque eu não tinha a menor idéia de quantas coisas eu ainda não sabia.

Quero voltar ao tempo em que se é feliz, simplesmente porque se vive na bendita ignorância da existência de coisas que podem nos preocupar ou aborrecer. Quero acreditar no poder dos sorrisos, dos abraços, dos agrados, das palavras gentis, da verdade, da justiça, da paz, dos sonhos, da imaginação, dos castelos no ar e na areia.

Quero estar convencido de que tudo isso... vale muito mais do que o dinheiro!

Eu sou o Alentejo!

Eu sou o Alentejo
Precisava de ser todo lavrado,
Remexido, revolvido e depois ressemeado.
Precisava que me passassem o arado,
Enterrassem os seus dentes profundos,
Profundamente, a ver se a coisa toda mexia
E eu reaparecia diferente.
A ver se renascia nov...o e mais viçoso,
Se começava pequenino e verdinho
E depois crescia saudável,
quiçá mais amável,
Forte e,
principalmente, mais amoroso.
Teria mais uma vida,mais uma oportunidade,
Outra hipótese de mostrar humanidade.
 E resultaria?
Renasceria outro? Diferente?
Não rebentariam as mesmas confusões?
Afinal é sempre a mesma terra,
 o mesmo ingrediente
Apenas mudam as estações.
Mesmo assim precisava de ser lavrado,
Independentemente do resultado.

domingo

Regresso? Ou talvez não?

Regresso?
Acho que voltei ao mundo da blogesfera. Saido do casulo, conquistando a Vida, desfazendo sonhos, criando realidades, de borboletas e flores.
Tentarei regressar mais poeta, sim, mas mais egoista. Cantado silenciosas canções de amor ao amor. Regresso com saudades também, dos amigos do FB que nunca o deixaram de ser. Uma linha aqui, outra acolá... Um puxão de orelhas hoje, uma mão estendida amanhã... Amigos presentes ou ausentes.
Acho que regresso, só, mas mais acompanhado que nunca, porque a companhia que trago desta vez, vem de dentro de mim.
Quer queira, quer não, preparo-me, porque quero regressar VITORIOSO!

Poesia!

Se, depois de eu morrer...

Se, depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas --- a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.

Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as coisas sem setimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as coisas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto com o pensamento seria achá-las todas iguais.
Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso fui o único poeta da Natureza.

                                         Alberto Caeiro

quarta-feira

ONDE É QUE ESTAMOS METIDOS ? ? ?

INTERESSANTE NA VERDADE

"Reavivar memórias - O nosso Presidente



A situação actual do país responde a tudo isto! NADA!

Mas então como foi gasto o dinheiro?
Simplesmente desbaratado sem rigor nem fiscalização pela incompetência  do governo dQuem ouvir Cavaco Silva e não o conhecer bem, ficará a pensar que está perante alguém que nada teve a ver com a situação catastrófica em que se encontra este país. Quem o ouvir e não o conhecer bem, ficará a pensar que está perante alguém que pode efectivamente ser a solução para um caminho diferente daquele até aqui seguido.
Só que... Este senhor,... ou sofre de amnésia, ou tem como adquirido que nós portugueses temos todos a memória curta, eu diria mesmo, muito curta.
Vejamos, então qual o contributo de Cavaco Silva para que as coisas estejam como estão e não de outra maneira:

Cavaco Silva foi ministro das finanças entre 1980 e 1981 no governo da AD. Foi primeiro-ministro de Portugal entre 1985 e 1995 (10 anos!!!). Cavaco Silva foi só a pessoa que mais tempo esteve na liderança do governo neste país desde o 25 de Abril. É presidente da República desde 2005 até hoje (5 anos) Por este histórico, logo se depreende que este senhor nada teve a ver com o estado actual do país.
Mas vejamos quais foram as marcas deixadas por Cavaco Silva nestes anos todos de andanças pelo poder:
Cavaco Silva enquanto primeiro-ministro alterou drasticamente as práticas na economia, nomeadamente reduzindo o intervencionismo do Estado, atribuindo um papel mais relevante à iniciativa privada e aos mecanismos de mercado.
Foi Cavaco Silva quem desferiu o primeiro ataque sobre o ensino "tendencialmente gratuíto".


Foi Cavaco Silva o pai do famoso MONSTRO com a criação de milhares de "jobs" para os "boys" do PPD/PSD e amigos. Além de ter inserido outros milhares de "boys" a recibos verdes no aparelho do Estado,Foi no "consulado Cavaquista"que começou a destruição do aparelho produtivo português. Em troca dos subsídios diários vindos da então CEE, começou a aniquilar as Pescas, a Agricultura e alguns sectores da
Indústria. Ou seja: começou exactamente com Cavaco Silva a aniquilação dos nossosrecursos e capacidades.
Durante o "consulado Cavaquista", entravam em Portugal muitos milhões de euros diáriamente como fundos estruturais da CEE. Pode-se afirmar que foram os tempos das "vacas gordas" em Portugal. Como foram aplicados esses fundos?
O que se investiu na saúde? E na educação? E na formação profissional?
Que reforma se fez na agricultura? O que foi feito para o desenvolvimento industrial?
e Cavaco Silva.

Tal como eu, qualquer habitante do Vale do Ave, minimamente atento,   sabe como muitos milhões vindos da CEE foram "surripiados" com a  conivência do governo "Cavaquista".
Basta lembrar que na época, o concelho de Felgueiras era o local em  Portugal com mais Ferraris por metro quadrado.
Quando acabaram os subsídios da CEE, onde estava a modernização e o  investimento das empresas? Nos carros topo de gama, nas casas de praia  em Esposende, Ofir, etc. Etc.
Quanto às empresas... Essas faliram quase todas. Os trabalhadores - as  vítimas habituais destas malabarices patronais - foram para o  desemprego, os "chico-espertos" que desviaram o dinheiro continuaram por aí como se nada se tivesse passado.
Quem foi o responsável? Óbviamente, Cavaco Silva e os seus ministros!
Quanto à formação profissional... Talvez ainda possamos perguntar a  Torres Couto como se fartou de ganhar dinheiro durante o governo  Cavaquista, porque é que teve que ir a tribunal justificar o  desaparecimento de milhões de contos de subsídios para formação  profissional. Talvez lhe possamos perguntar: como, porquê e para quê,  Cavaco Silva lhe "ofereceu" esse dinheiro.
Foi também o primeiro-ministro Cavaco Silva que em 1989 recusou  conceder ao capitão de Abril, Salgueiro Maia, quando este já se  encontrava bastante doente, uma pensão por "Serviços excepcionais e  relevantes prestados ao país", isto depois do conselho Consultivo da  Procuradoria Geral da República ter aprovado o parecer por unanimidade.
Mas foi o mesmo primeiro-ministro Cavaco Silva que em 1992, assinou os  pedidos de reforma de 2 inspectores da polícia fascista PIDE/DGS,  António Augusto Bernardo, último e derradeiro chefe da polícia  política em Cabo Verde, e Óscar Cardoso, um dos agentes que se  barricaram na sede António Maria Cardoso e dispararam sobre a multidão  que festejava a liberdade.

Curiosamente, Cavaco Silva, premiou os assassinos fascistas com a  mesma reforma que havia negado ao capitão de Abril

Salgueiro Maia, ou  seja: por "serviços excepcionais ou relevantes prestados ao país".
  Como tenho memória, lembro-me também que Cavaco Silva e o seu "amigo"  e ministro Dias Loureiro foram os responsáveis por um dos episódios  mais repressivos da democracia portuguesa. Quando um movimento de
cidadãos, formado de forma espontânea, se juntou na Ponte 25 de Abril, num "buzinão" de bloqueio, em protesto pelo aumento incomportável das  portagens. Dias Loureiro (esse mesmo do BPN e que está agora muito
confortávelmente em Cabo Verde), com a concordância do chefe, Cavaco  Silva, ordenou uma despropositada e desproporcional carga policial  contra os manifestantes. Nessa carga policial "irracional", foi  disparado um tiro contra um jovem, que acabou por ficar tetraplégico.
Era assim nos tempos do "consulado Cavaquista", resolvia-se tudo com a  repressão policial. Foi assim na ponte, foi assim com os mineiros da  Marinha Grande, foi assim com os estudantes nas galerias do  Parlamento...
Foi ainda no reinado do primeiro-ministro Cavaco Silva, que o governo  vetou a candidatura deJosé Saramago a um prémio literário europeu por considerar que o seu romance "O Evangelho segundo Jesus Cristo" era um
ataque ao património religioso nacional.  Este veto levou José Saramago a abandonar o país para se instalar em
Lanzarote, na Espanha, onde viveu até morrer. Considerou Saramago, que  não poderia viver num país com censura. 
Cavaco Silva foi o Presidente da República nos últimos 5 anos. Sendo  ele o dono da famosa frase: "nunca tenho dúvidas e raramente me  engano", como é que deixou Portugal chegar até à situação em que se  encontra?
Mais! Diz a sabedoria popular: "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és."
Bem... Alguns dos ministros, amigos, apoiantes e financiadores das  suas campanhas eleitorais não abonam nada a seu favor. Embora, na  minha opinião, esta gente reflete exactamente a essência do  Cavaquismo.
 
Oliveira e Costa
- Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais do  governo Cavaquista entre 1985 e 1991. Ex presidente do famoso BPN.   A história deste fulano já é mais conhecida que os tremoços, nem vale a pena escrever mais nada.
  
Dias Loureiro - Ministro dos governos Cavaquistas. Assuntos  Parlamentares entre1987 e 1991, Administração Interna entre1991 e  1995.   Associado aos crimes financeiros do BPN, com ligações ainda não  clarificadas ao traficante de armas libanês, Abdul Rahman El-Assir, de  quem é grande amigo.   Foi conselheiro de estado por nomeação directa de Cavaco Silva, função  que ocupou com a "bênção" de Cavaco, até já não ser possível manter-se  no lugar devido às pressões políticas e judiciais.
Encontra-se actualmente, muito confortavelmente a viver em Cabo Verde.
 
Ferreira do Amaral- Ministro dos governos Cavaquistas. Comércio e  Turismo, entre 1985 e 1990, Obras Públicas, Transportes e Comunicações  entre 1990 e 1995. Foi nesta condição (ministro das obras públicas do  governo Cavaquista) que assinou os contratos de construção da Ponte  Vasco da Gama com a Lusoponte, e a concessão (super-vantajosa para a  Lusoponte) de 40 anos sobre as portagens das duas pontes de Lisboa.   Ferreira do Amaral é actualmente presidente do conselho de  administração da Lusoponte. (Apenas por mera coincidência...)

Duarte Lima- Lider da bancada do PPD/PSD durante o Cavaquismo.  Envolvido em transacções monetárias "estranhas" no caso Lúcio Tomé Feteira"

domingo

Desculpa José !


Assunto: Porque não voto em ti José

Porque não voto em ti José ?

Tu podes dizer que te perseguiram, que te fizeram a cama, que te tramaram, que as tuas intenções eram as melhores e que querias evitar a todo o custo a ajuda externa.
...
Tudo isso até pode ser verdade mas olha que me fazes lembrar o Vale e Azevedo.

Tens de me explicar como conseguiste tornar o PS no "teu partido".

Assim é que é: 93% de apoio !!!

Tu és o líder, tu és o chefe, tu és o comandante, tu és o pai, o filho, o espírito santo. O partido és tu e é teu.

Zé, assim não vamos lá. Que consigas enganar os "crentes" é uma coisa, agora querer enganar outra vez a gente é outra.

Oh Zé. Tu lixaste a gente, deixaste-nos na merda pá.

Vai pró caraças, mas estás a querer fazer-nos de estúpidos ?

Será que não tens vergonha, será que não tens um pingo de humildade para que caias em ti e reconheças os teus pecados e os teus erros.

Repara só:

- 600 000 desempregados;
- Bancarrota;
- Facturas elevadíssimas a vencer nos próximos anos;
- Uma imagem péssima do país no estrangeiro:
- caloteiros, calaceiros, vigaristas, trapaceiros, corruptos, mentirosos, malandros,
estúpidos, teimosos, etc.
- As reformas todas por fazer, as nossas empresas, bancos e empresários mal vistos
e mal cotados.
- uma divida pública astronómica;
- A nossa indústria desamparada;
e etc, etc....

Tu que tiveste uma maioria, que tiveste as condições que poucos tiveram, lembra-te que quando te elegemos em 2005 nós estávamos fartos de Durões, Santanas, de sermos desgovernados e tu, sim TU, puseste-nos na miséria pá.

Oh Zé, deixa-me que te explique isto a ver se entra na tua cabeça.

TU JÁ NÃO SERVES PARA REPRESENTAR OS NOSSOS INTERESSES, TU ESTÁS
AVARIADO, ESTRAGADO, QUEIMADO, FORA DE PRAZO.

A tua teimosia, a tua estupidez, a tua soberba demonstrou um gajo que não
sabe negociar, que não sabe gerir, que não sabe o que é um país, que não sabe o que é ser-se integro e o que é servir.

O que tu tens é um grande PATUÁ. Só que não chegou para os mercados !!!
O que pensariam de nós se voltasses a ser parte do problema, tu que FOSTE, E

ÉS O PROBLEMA.

Uma coisa te garanto: EM TI NÃO VOTO
Este é um Desígnio Nacional: por-te na prateleira, na galeria dos notáveis que nos enganaram.

Olha Zé não estou nada porreiro pá e quero que vás PRÓ BORDALO, Só que agora não sei em quem votar..

sábado

Contra Capa


Contra Capa do meu livro Pinturas e Poemas, dedicadada ás minhas Filhas

quinta-feira

Retrato da Jovem Amada - Livro II


RETRATO DA JOVEM AMADA

Quisera vestir-te de Primavera
Como o vento claro que escreve
O nome das sementes sobre os campos
Pintar flores novas nos teus ramos
O desenhar em cada gota de orvalho
Uma esperança trémula
Beijar as tuas raízes como um rio subterrâneo
Cobrir-te de estames de oiro
E transparência azuladas
Como um céu de inefável juventude
Acariciar os teus pomos redondos
Cheirosos a luar e a madrugadas
Ser natural como tudo o que respira
E ao abraçar-te edificar um mundo
Sem montanhas e rios entre nós

O Dragão Março de 1966

segunda-feira

ANTEVISÃO


ANTEVISÃO

Repicam os sinos
Dlim, dlão
No meio da multidão, surge por encanto
...Diante dos teus olhos enevoados
O teu rebento crescido
Dlim, dlão, dlão
Oh! Que sonho que ilusão
Paradoxo da vida
Em vez de um menino, tímido, fugidio
Surge-te um rapaz robusto, mocetão
Dlim, dlão, dlão
É o toque dos sinos que chamam pela paz
Ressoam os sinos
Voltou o menino
Choram os olhos de alegria, chora o coração
Meio entontecido, meio adormecido
Com os olhos encovados, doentios
Ainda entorpecido, pelo troar dos canhões
Vejo com a alma partida
Que já não sou o menino
Que numa manhã fria de Inverno doentio
Se despediu da mãe
Dlim, dlão, dlão
É a voz dos metais aprisionados
Aos meus ouvidos endurecidos
Pelo fragor das emboscadas, oiço as palavras
Meu filho! Meu menino!
Tremo, olho e vejo-me de rosto cerrado
Olhar amadurecido, duro talvez?
Olho de novo aquela figura
Pequenina, velhinha, pálida
Já não sou o mesmo, endureci….
Nem um músculo dá sinais de vida, tremo
Há muito que a experiência da vida
Me disse, me aconselhou, mostrar por fora
O que não nos vai por dentro
Algo se parte em mim, a minha voz
Quer elevar-se e dizer
Mãe o teu menino, aquele que tu viste partir
Já não é um MENINO
É um HOMEM QUE ENDURECEU
Que matou para não morrer
Que matou para te tornar a ver
Dlim, dlão, dlão
Repicam os sinos
Indiferentes
Dlim, dlão, dlão
Choro por te tornar a ver feito homem
Choro por ti, por tudo quanto perdi
Dlim, dlão, dlão

Alberto David
Jornal o DRAGÃO, Março de 1966Ver mais

Inicio de mais uma aventura !!


Com este poema escrito em Setembro de 1966 com o pseudónimo de IGOR, vou tentar escrever o meu segundo livro cujo título deverá ser "Poemas, Histórias e Pinturas"., o primeiro jaz religiosamente na gavete á espera que os Euros para a edição apareçam.


Embondeiro

.. De clima tropical,
Xerófila vegetal,
Eu sou !
Eu sou...
De corpo cavernoso
E tronco garrafal
Enorme. Não formoso,
Árido, descomunal,
De ramos levantados,
(Erguidos pr'os céus)
Nus (de folhas despidos),
Rigando preces a Deus
Estou!
Às chuvas, aos ventos...
Titã rofo, rigente,
De andrajos vestido.
Meu fruto, meu rebento,
Em meus braços detido,
Lembra rato pendente
Pelo rabo sustido.
Em campo desolado
De vastidão sem fim,
Meu corpo se ergueu,
Cresceu... cresceu...
E a meu lado o capim.
Que tristeza! Que solidão!
Se me vem... olham... olham...
Miram... remiram e passam.
Desilusão!
Em minha sombra não descansam!
De corpo hirto descomunal,
Informe (por vezes rachado)...
Lanço os meus braços aos céus
E grito! Oh meu Deus
Antes fosse rasteiro
Pasto de animal!
Não! ... serei o que sou enorme...
Alto, disforme...
Até no nome sou enorme...
EMBONDEIRO!... EMBONDEIRO
Eu sou!

IGOR

(cópia do Jornal O Dragão nº 2 de Setembro de 1966)

quinta-feira

PINTURAS E POEMAS



E assim termina o livro de PINTURAS E POEMAS, agora só faltam os Euros para Editar.
Pode ver os Poemas e Pinturas no endereço: www.borradas.blogspot.com

segunda-feira

Para relembrar os que ainda têm a mentalidade do Antigamente



A propósito de 25 de Abril…

fica este poema de Ary dos Santos para relembrar aos que ainda têm a mentalidade que Salazar queria impor e que o elegeram o Maior Português de sempre, o que foi o 25 de Abril:



As Portas que Abril abriu…
Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.

Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.

Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos vereda
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.

Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.

Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.

Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.

Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação
uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com que a força da vida
seja maior do que a morte.

Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.

Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.
Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.

Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.

Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
– pode nascer um país
do ventre duma chaimite.

Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue

– é força revolucionária!

Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.

Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.
E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados «páras»
que não queriam o degredo
dum povo que se separa.

E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam.

Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração.

Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.

Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão.

Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.

Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer.
E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.
Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.

E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.

Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.

Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.

Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.

Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.

Mas eram olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.

E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.

Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.

E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.

A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que se desdobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.

Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.

E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideais
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.

Entanto não descansavam
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio fazia
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.

Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.

E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.
Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.

Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.

Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.

Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.

Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos

— cumpriu-se a revolução.

Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.

Com generais desta apanha
já não há revoluções.
Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos.

E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.

Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha.

E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
aprenderam Portugal.

Os tais homens que sentiram
que um animal racional
opõe àqueles que o firam
consciência nacional.

Os tais homens que souberam
fazer a revolução
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.

Os que viram claramente
e com os cinco sentidos
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.

Os tais homens feitos de aço
temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.

Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.

Dai ao povo o que é do povo
pois o mar não tem patrões.

– Não havia estado novo

nos poemas de Camões!

Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.

Foi este lado da história
que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram
das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.

Por saberem como é
ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.

E em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalho crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
dum país que vai nascer.

Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser
pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.

No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pé do Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.

Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!

É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.

Quem a fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.

De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!

De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.

Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.

Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!

E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!

Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!



Ary dos Santos



Lisboa, Julho-Agosto de 1975



Zeca Afoso

sábado

Carta aberta ao Povo Finlandês

" O que o Dr. Passos Coelho deveria ter respondido quando deixou insultar o Povo Português num lauto ou pequeno jantar na Madeira".

Carta aberta ao Povo Finlandês

Carta aberta ao Povo Finlandês.Encontrei por bem contar aqui os pormenores de uma história que, por muito que pareça pertencer ao passado, tão facilmente nos lembra a todos das travessuras partidas de que a História é capaz de pregar. E por muito incompr...eensível que possa parecer, as travessuras e partidas que a História àsvezes prega, surpreendem em especial aqueles com a memória mais curta.O local foi Lisboa, e o ano, 1940, mais concretamente o trigésimo nono dia após o final da primeirae heróica guerra combatida pelo perseverante povo Finlandês contra a tentativa estrangeira deapagar a vossa pequena nação do mapa dos países livres e independentes da Europa. A Guerra doInverno na qual a Finlândia contrariamente ao que todos julgavam poder ser possível derrotou o bolchevismo o imperialismo Russo, teve na altura um impacto muito maior do que o que julga hojea maior parte dos finlandeses.Os gritos de sofrimento e os horrores da primeira guerra Russo-Finlandesa e os terríveis sacrifíciosimpostos ao vosso pequeno país, comoveu e tocou o coração do povo Português no outro longínquocanto deste velho continente chamado Europa. Talvez fosse por causa de um sentimento deirmandade, ou mesmo de identificação com os sacrifícios para que uma outra nação pequena e periférica acabava de ser atirada...mas a ânsia de ajudar a Finlândia rapidamente emergiu entre osPortugueses, tão orgulhosos que são hoje quanto orgulhosos eram então dos valores daindependência e da nacionalidade. A nação europeia com as fronteiras mais estáveis e com a pazmais duradoura de todas, não podia permitir-se, e não permitiu, permanecer no conforto da passividade de nada fazer relativamente ao destino para o qual a Finlândia tinha sido atirada,confrontada que esta estava com o perigo iminente de se tornar em apenas mais uma provínciaEstalinista.Portugal era na altura um país encruzilhado, submergido em pobreza e constrangido por umaditadura cruel e fascista. Os Portugueses eram nesses tempos quase todos invariavelmente pobres,analfabetos, oprimidos e infelizes, mas também trabalhadores, honestos, orgulhosos, unidos echeios de compaixão, mobilizados em solidariedade para oferecerem o que de mais pequeninoconseguiram repescar para ajudarem o necessitado e desesperado povo Finlandês.Em cidades e vilas e aldeias de Portugal, agricultores, operários e estudantes, pais e mães, que aosmilhões talvez possuíssem não mais do que apenas 3 mudas de roupa, ofereceram os para si maismodestos e preciosos bens que, mal grado a penúria, conseguiram prescrever como dispensáveis:cobertores, casacos, sapatos e casacões, e para os mais felizardos sacos de trigo e quilos de arrozcultivados à mão nas lezírias e terras baixas dos rios portugueses. As ofertas foram recolhidas por escolas e igrejas do norte e do sul, e embarcadas para Helsínquia com a autorização prévia daAlemanha Nazi e Aliados. Num extraordinário gesto de gratidão, o Sr. George Winekelmann, que era o então representantediplomático da Finlândia em Lisboa e Madrid, publicou um apontamento na primeira página do prestigioso jornal “Diário de Noticias” para agradecer ao povo Português a ajuda e assistência prestadas à Finlândia no mais difícil de todos os inconsoláveis tempos.O bem-haja a Portugal foi publicado no vigésimo primeiro dia de Abril de 1940, há quaseexactamente 70 anos neste dia presente que corre, e descreve que “Na impossibilidade de responder directamente a cada um dos inumeráveis testemunhos de simpatia e de solidariedade que tive afelicidade de receber nestes últimos meses, e que constituíram imensa consolação e reconfortomoral e material para o meu país, que foi objecto de tão dolorosas provações, dirijo-me à NaçãoPortuguesa, para lhe apresentar os meus profundos e comovidos agradecimentos. Nunca o povo finlandês esquecerá a nobreza de tal atitude. Estou certo de que os laços entre Portugal e Finlândia se tornaram mais estreitos e que sobreviverão ao cataclismo do qual foi o meu país inocente vítima, contribuindo assim para atenuar as consequências de tão injustificadaagressão”.Em virtude de um outro esforço de ajuda à Finlândia organizado por estudantes Portugueses, o Sr.George Winekelmann mais uma vez voltou à primeira página do mesmo jornal para, numa notaescrita no dia 16 de Julho de 1940, expressar o seu imenso agradecimento: “O Sr. GeorgeWineckelmann, ministro da Finlândia, esteve ontem no Ministério da Educação Nacional (…) aagradecer o interesse que lhe mereceram as crianças do seu país por ocasião do conflito com aRússia (…) e o seu reconhecimento pela importante dádiva com que os estudantes portuguesessocorreram os pequeninos da Finlândia”.Por irónico que seja, o nacionalismo e as formas pelas quais alguns Europeus escolhem para oexpressar nos dias presentes, estão em completo contraste com o valor do conceito de Naçãoexpresso há 70 anos por um país bem mais velho, e por um povo bem menos rico e bem maisanalfabeto, quando confrontado com a luta pela sobrevivência de uma nação-irmã, que é bem maisrica, bem mais instruída e….bem mais jovem.Todos devemos ao passado a honra de não esquecer os feitos e triunfos daqueles que já não vivem.O conceito de verdadeiro nacionalismo não pode jamais ficar dissociado do dever de honrarmos o passado. Ao cabo de 870 anos de História, por vezes com feitos tremendos e ainda maioresdescobertas, um dos sucessos de Portugal como nação tem sido a capacidade de o seu povo unido ehomogéneo, olhar serenamente de mãos dadas para lá do horizonte da sua terra, sem nunca ter medodos desafios desconhecidos dos sete mares em frente, sem nunca fechar a ninguém as portashospitaleiras e da amizade, e sem nunca fugir dos contratempos que possam defrontar-se-lhe nasenda do seu destino.Por mais irónico que seja, algo não parece bater certo quando a condição a que chegou a economiade um Estado de uma pequena nação, por maneira curiosa se torna talvez decisiva nas escolhaseleitorais tomadas por um povo de uma outra e ainda mais pequena nação, no outro canto tãolongínquo da Europa. Por mais que merecida ou desejável que possa ser, a recusa de auxiliar eajudar uma nação dorida e testada pelos ventos de um cataclismo financeiro não é provavelmente o passo mais sábio de países unidos por espírito e orgulhosos de honrarem os verdadeiros intrínsecosvalores de solidariedade e mútua amizade, em especial quando atormentados por adversidade eventanias de crise.Por mais corrupta que a sua elite se comporte, por mais desgovernado que o seu país ande, e por mais caloteiro que o seu Estado seja, os homens e mulheres comuns de Portugal, filhos e filhas enetos e netas daqueles que viviam há 70 anos atrás, sentem-se e são os reféns e vítimas inocentes deuma Guerra financeira que viram ser-lhes declarada contra os seus bolsos e carteiras, e que ameaçaas suas honestas e modestas poupanças.Mas não obstante confrontados nos agora tempos de hoje, em aparente insolvência e nas maissozinhas de todas as suas horas, com o desespero e adversidade, eu estou confiante e seguro de queos Portugueses de hoje, mães e pais, agricultores, trabalhadores, padres e estudantes, e até mesmocrianças, de lés a lés naquele país se elevariam da consciência, a fim de mostrar os seus maissinceros e genuínos sentimentos de nacionalismo e humildade para ajudarem e confortaremFinlândia e o povo finlandês, se alguma outra vez cataclismo ou desastre batesse à porta daFinlândia e iluminasse a ideia obscura da extinção da heróica nação Finlandesa, tal como aconteceuhá sete décadas passadas.Todos nós podemos aprender com as pequenas e genuínas lições dos tempos que lá vão.

"Hélder FernandesCorrespondente da TSF"


Por: Alberto David
.

IMAGENS DO LIVRO PINTURAS E POEMAS

segunda-feira

Um pequeno cheiro a Primavera !!!

Como eu gostaria de ser poeta
Não pássaro somente…
A cantar apenas para ti, amor
Na alvorada de cada novo dia
Acordar-te com o meu trinar
Inconfundível, desafinado, talvez.
Pela noite voando baixinho,
Muito ao de leve, deixar-te um beijo.
Beijo que te acompanharia,
Tal como eu… se fizesse parte do teu sonhar.
Trinando ao teu ouvido…,
De modo que ouvisses suavemente
O que te queria dizer.
Juntando belas e encantadoras palavras,
Que muito gostaria de as conseguir escrever.
Mas sendo pássaro…
Sei apenas trinar, não escrever.
Mas se tal acontecesse
Perceberias melhor como te quero…
Esvoaçando dentro de ti,
Perfumando os teus cabelos
E fixando teu doce olhar…
Gostaria de não ser pássaro somente
Para te erguer com as minhas forças frágeis.


Do meu livro Pintura e Poemas

terça-feira

Singela homenagem a Ary dos Santos



Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:

Poeta castrado não!